O economista e professor universitário Valentim Xavier Pintando, um dos fundadores do CDS, morreu na quarta-feira aos 91 anos, disse, esta quinta-feira, à Lusa fonte da família.

De acordo com a mesma fonte, o corpo vai estar a partir de hoje em câmara ardente na capela de Nossa Senhora, junto à igreja de São João de Deus, à Praça de Londres, em Lisboa, estando agendada missa de corpo presente para as 21:00.

Na sexta-feira realiza-se uma missa de corpo presente na igreja de São João de Deus, pelas 10:00, saindo depois o cortejo fúnebre para o cemitério dos Prazeres.

Valentim Xavier Pintado era natural de Freixo de Espada a Cinta. Licenciou-se em Ciências Económicas e Financeiras pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa (1949) e fez o doutoramento em Economia na Universidade de Edimburgo (1961).

Dirigiu o Gabinete de Estudos e Relações Económicas Internacionais da Associação Industrial Portuguesa (AIP) e, em 1964, foi diretor do gabinete de estudos económicos do Banco Português do Atlântico;

Nos anos de 1970 foi secretário de Estado do Comércio do governo presidido por Marcelo Caetano, tendo participado, igualmente, em várias organizações internacionais como a EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre) e a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico).

Foi igualmente professor catedrático e diretor da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, da qual foi Vice-Reitor.

Valentim Xavier Pintado foi, com Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Vitor Sá Machado, João Morais Leitão e João Porto, fundador do CDS, partido político português inspirado pela democracia cristã nascido a 19 de julho de 1974.

 

Marcelo Rebelo de Sousa lembra o rigor e independência de Xavier Pintado

O Presidente da República enviou uma mensagem de condolências à família de Valentim Xavier Pintado, lembrando que se distinguiu pelo rigor e independência das análises que realizou da situação económica nacional e internacional.

Segundo uma nota colocada no ‘site’ da Presidência da República, o professor Xavier Pintado “nunca descurou os seus deveres de cidadania, tendo uma intervenção muito ativa no processo de transição democrática em Portugal e na opção europeia que deu um contributo decisivo para a consolidação da nossa democracia”.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda “a dignidade do seu caráter” e a “excecional competência técnica” do economista e professor universitário.

O Presidente da República considerou ainda que Xavier Pintado “contribuiu para que Portugal trilhasse os caminhos do modelo democrático de tipo ocidental, fiel às coordenadas que inspiram o projeto europeu e que constituem a matriz da nossa civilização”.