Na casa das irmãs Mortágua sempre se falou de política. “Não tanto de partidos, mas de política”, como friza Joana Mortágua, em declarações à TVI24.
 

“Sempre se falou muito de política à mesa, porque os meus pais eram muito politizados e muito de Esquerda. Não se falava tanto do que se passava no Parlamento ou nos partidos, mas do que se passava na sociedade”, acrescenta.

 
Joana e Mariana são irmãs, gémeas. Mariana conhecidas dos portugueses pela atuação nas comissões de inquérito ao caso BES. Entrou na Assembleia da República aos 27 anos, em 2012, em substituição de Francisco Louçã. Foi reeleita nas últimas legislativas. Joana só entrou agora no Parlamento, eleita pelo circulo eleitoral de Setúbal.
 

Filhas de peixe…

 
As gémeas de 29 anos são filhas de Camilo Mortágua, histórico resistente anti-fascista e membro da LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária). “Os meus pais conheceram-se na luta política. Foram os dois muito participativos dos momentos de luta política em Portugal”, conta Joana.

 “Esta atitude política foi-nos sendo incorporada muito naturalmente.”

 
Se Mariana agora é mais conhecida da opinião pública, o percurso efetivo da irmã Joana na política e no Bloco de Esquerda começou mais cedo: “Eu e a Mariana tivemos percursos individuais, desde muito cedo, inclusive no Bloco”. “Entrámos em alturas diferentes no partido. Eu entrei primeiro”, esclarece a deputada eleita por Setúbal.
 
Apesar das notórias semelhanças físicas, Joana Mortágua diz que não vê, no Parlamento, a irmã Mariana, mas sim a deputada Mariana: “Não nos vejo como duas irmãs deputadas. Somos duas deputadas”.
 
E não esconde o orgulho que sente do trabalho da deputada Mariana Mortágua. “A Mariana fez uma excelente na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES. Foi bom para ela, que lhe deu notoriedade, foi bom para o Bloco de Esquerda e foi bom para o país”, sublinhou.
 

Entre marido e mulher… que o Parlamento não meta a colher

 
Mas as manas Mortágua não são caso único de familiares na Assembleia da República. No grupo parlamentar do Partido Socialista, há nesta legislatura um casal de deputados. Porfírio Silva foi eleito no último dia 4 de outrubro pelo circulo eleitoral de Aveiro. Margarida Marques eleita pelo círculo de Leira. São marido e mulher.
 
Ambos têm um percuso político antigo, que se cruzou na Juventude Socialista, na década de 1980. Margarida Marques foi fundadora e secretária-geral da JS entre 1981 e 1984. Porfírio concorreu à liderança da estrutura no mandato seguinte. Foi derrotado pela lista encabeçada por José Apolinário e que, na altura, foi apoiada por António Costa.
 
Porfírio Silva, uma das figuras mais próximas de António Costa,  estreia-se agora nas lides parlamentares, depois de algum afastamento da ribalta política. A mulher já foi deputada, também pelo PS, entre 1983 e 1985.
 
A TVI24 quis saber de que forma um casal de políticos encara uma ida simultânea para o Parlamento. Porfírio Silva declinou o convite, alegando que o facto de ele e Margarida Marques serem casados “não tem qualquer relação com as funções políticas” que desempenham.
 

Casos antigos

 
Pelo Parlamento têm já passado também pais e filhos. Embora não ao mesmo tempo, são exemplo disso Isabel Moreira e o pai, Adriano Moreira. Isabel é a quarta dos seis filhos do histórico centrista. É deputada na Assembleia da República desde 2011, eleita como independente pelo Partido Socialista. Foi reeleita, pelo círculo de Lisboa, no último dia 4 de outubro.

O pai deixou o Parlamento em 1995. A filha foi eleita deputada pela primeira vez em 2011

 
Quando Isabel chegou ao Parlamento já o pai tinha deixado as lides parlamentares há muito. Adriano Moreira foi deputado pelo CDS-PP durante cerca de 15 anos, entre 1980 e 1995. Antes de ser parlamentar, Adriano José Alves Moreira já tinha sido ministro do Ministério do Ultramar (1961 – 1963).
 
De famílias políticas bastante diferentes, é possível identificar em pai e filha os mesmos traços de assertividade.
 
Outro filho de deputado que se tornou deputado foi Nuno Encarnação, filho do histórico autarca de Coimbra Carlos Encarnação. Nuno é deputado desde 2009, sempre eleito pelo círculo de Coimbra.

Carlos Encarnação foi deputado entre 1980 e 2002. O filho estreou-se nas lides parlamentares em 2009


O pai, Carlos Encarnação, foi deputado entre 1980 e 2002, com algumas interrupções pelo meio. Ficou mais conhecido do grande público pelo seu trabalho como governador civil e como presidente da câmara de Coimbra.
 
Apesar de nunca se terem cruzado no Parlamento, o pai Carlos e o filho Nuno partilham a mesma família política. Ambos foram eleitos pelo PSD.