morreu hoje

"É uma notícia muito triste, embora Maria Barroso seja daquelas pessoas que não morrem. A sua vida foi tão intensa e tão inspiradora que deixa para sempre uma marca naqueles que com ela privaram de perto", referiu à agência Lusa Manuel Alegre, num depoimento em que recorda ter conhecida a mulher do ex-Presidente da República Mário Soares em meados dos anos 60, em Paris, quando estava no exílio.



"Foi uma voz libertadora no teatro, na poesia, divulgando os poetas e participando ela própria na ação política, nomeadamente no último congresso democrático em Aveiro. Ela acompanhou sempre Mário Soares, mas teve sempre o seu espaço próprio. Foi ela própria uma grande figura pela liberdade e da cultura portuguesa", frisou Manuel Alegre.



"Para mim, foi uma querida amiga que nunca esquecerei, cujo exemplo e inspiração estarão sempre presentes comigo. Desde que ela adoeceu, tenho acompanhado a situação. E quero aqui deixar um abraço muito sentido ao Mário Soares, aos seus filhos Isabel e João, e aos netos", acrescentou Manuel Alegre.

Morreu figura "brilhante e notável"


figura tão brilhante e notável

“Fico muito impressionado porque desaparece uma figura brilhante, que teve uma vida cheia em numerosos domínios e por quem eu tinha uma amizade e consideração enormes”, declarou à agência Lusa Jorge Sampaio.



“Foi uma pessoa muito envolvida na resistência contra o regime anterior, em atividades políticas permanentes e grande combatente pela democracia, a quem tive o enorme prazer de distinguir com a ordem da liberdade, porque a merecia”, sublinhou.



“É uma perda, mas podemos dizer que teve uma vida, cheia, ativa até ao último momento e, isso torna-a uma figura brilhante da sociedade portuguesa que agora desaparece”, sublinhou.



“Esteve ao meu lado. Estava muito bem, extremamente lúcida, como sempre. Falámos do passado, do presente e até falámos do futuro. Estas coisas são sempre assim, uma pessoa tem estima e amizade e essa pessoa dias depois começa um processo irreversível de desaparecimento. É muito triste e o país de certeza que não vai deixar de ficar entristecido pela morte desta senhora tão brilhante e notável”, concluiu.


as reações

"Foi com profunda tristeza que soube que Maria de Jesus não está mais entre nós"





"Ela foi uma figura inigualável na vida pública portuguesa, pela sua intervenção política e cívica sempre a favor das causas mais nobres, pelo seu inabalável apego aos valores democráticos, pela generosidade com que renunciou a uma carreira brilhante, como atriz excecional que era, para servir o país. Mas acima de tudo sempre recordarei Maria de Jesus como uma muito querida amiga que sempre mostrou uma extraordinária solidariedade e apoio em alguns momentos difíceis da minha vida pessoal, o que nunca poderei esquecer", salienta o ex-primeiro-ministro.



"Deixa-nos uma história que temos a obrigação de continuar"



"A Dr.ª Maria de Jesus Barroso é uma figura maior do Portugal da liberdade, da cultura e da consciência social. A sua coragem, sempre presente, é um exemplo para todos nós", afirmou António Sampaio da Nóvoa, em comunicado.



"Não há nada que possa substituir a presença, mas a memória da Dr.ª Maria de Jesus Barroso prolonga-se muito para além do seu tempo e deixa-nos uma história que temos a obrigação de continuar", afirmou Sampaio da Nóvoa.

Foi a retaguarda e os flancos de Mário Soares



"Sem ela [Maria Barroso], o Mário [Soares] não tinha sido o que foi. Ela era a retaguarda do Mário. Era os flancos, estava ao lado, estava atrás e, às vezes, até ia à frente", disse à agência Lusa António Arnaut, um dos fundadores do PS, evocando a antiga primeira-dama como "uma grande mulher da cultura, da democracia, do socialismo, da luta anti-fascista e também uma grande mulher de família".



Os dois faziam "um par ímpar", numa "comunhão de vida e de valores. Uma verdadeira conjugação", em que Maria Barroso mostrou sempre "uma grande independência de espírito", sublinhou.









"Uma referência para o país"





“Era uma mulher de muitos talentos, muito culta, sempre empenhada na educação, na cultura e na política”, disse António Ramalho Eanes à agência Lusa.




uma vida