A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um voto de pesar pela morte do antigo ministro Mariano Gago, lamentando o desaparecimento de "um vulto maior da Ciência em Portugal".

"A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, presta o sentido reconhecimento e expressa a gratidão pelo contributo académico e serviço cívico e público de José Mariana Gago ao longo de toda a sua vida, endereçando à sua família, amigos e a todos os que no setor científico sentem especialmente a dimensão da sua persa, as suas sinceras condolências pelo desaparecimento de um vulto maior da Ciência em Portugal", lê-se no voto de pesar apresentado pelo PS e que é citado pela Lusa.

Nascido em Lisboa, em 1948, José Mariano Rebelo Pires Gago licenciou-se em engenharia eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico, em 1971, e foi ministro nos governos do Partido Socialista, liderados por António Guterres e por José Sócrates.

"A sua visão integrada e impulsionadora do setor científico nacional tornou-o numa referência política incontornável para o setor e permitiu modificar profundamente as políticas públicas portuguesas, dotando a Ciência de uma nova centralizado política, criando mecanismos de financiamento reforçado e de desenvolvimento da investigação científica e impulsionando de forma notável a produção científica nacional", é ainda referido no voto.

O texto faz ainda alusão à responsabilidade de Mariano Gago pelo desenvolvimento dos alicerces de "uma verdadeira política de divulgação científica, vertida emblematicamente no lançamento da Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, mobilizadora de novas gerações para o conhecimento e a investigação através de uma rede integrada de centros espalhados pelo país, coroada com o desenvolvimento do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa".

Mariano Gago morreu há uma semana, aos 66 anos, vítima de doença súbita.


Mais votos de pesar 

O parlamento aprovou ainda, também por unanimidade, um voto de pesar pela morte de Ana Vicente, sublinhando a "marca profunda" que a escritora deixa pela "obstinada cultura de serviço, às mulheres, ao país, aos mais fracos e esquecidos, à cultura".

"Escritora, feminista e católica, Ana Vicente foi uma destacada militante dos direitos da mulher, por cuja emancipação social e cultural se bateu ao longo de uma vida de coerente intervenção cívica, no desempenho de funções oficiais e no serviço aos mais vulneráveis e aos que não têm voz", é referido no voto de pesar apresentado pela bancada socialista.

Outro voto de pesar aprovado foi pelo falecimento de Élio Castro Pereira, antigo deputado da II Legislatura, eleito pelas listas da Aliança Democrática.

"Quer no exercício da advocacia, quer quando desempenhou cargos políticos e eletivos sempre pautou a sua atuação por uma enorme consciência social e por uma visão progressiva e realista da democracia-cristã, incessantemente em defesa dos mais necessitados, tendo granjeado na sua terra de adoção a alcunha de ‘advogado dos pobres', devido à sua preocupação perante com os mais necessitados", lê-se no voto de pesar apresentado pelo grupo parlamentar do CDS-PP.

Élio Castro Pereira morreu no domingo, aos 67 anos, vítima de morte súbita.