O ex-ministro do PSD Nuno Morais Sarmento considerou hoje que uma derrota ou vitória tangencial do PS nas europeias de maio coloca em causa a liderança de António José Seguro e voltará a centrar a «pressão política» no Governo.

«O risco das eleições europeias é um risco do PS. Pode levar à substituição da liderança no PS e se isso acontecer o quadro altera-se», defendeu Morais Sarmento numa intervenção em Lisboa num debate organizado pela Câmara de Comércio Luso-Britânica.

Se a liderança socialista for posta em causa, acredita o ex-governante social-democrata, António Costa pode voltar a emergir como putativo líder do PS, até porque «tem-se posicionado em termos de discurso político num ponto que lhe permite encarar os desafios» que o país tem «pela frente».

O ex-ministro e atual comentador televisivo falava sobre a necessidade de um «acordo político alargado», que o mesmo defendeu no passado fim de semana no congresso do PSD, e que António Costa também já reconheceu como importante.

Pedro Passos Coelho, acredita Morais Sarmento, saiu do encontro social-democrata tido no Coliseu de Lisboa «descontraído», e a pressão política está atualmente no PS.

Após o mês de maio, com a saída da "troika" e as europeias, o foco pode contudo voltar a centrar-se no Governo, até pela «gestão de expetativas» sobre o "pós-troika".

«Nas eleições de 2011 nenhum partido disse o que fazer depois da troika», lembrou, advertindo ainda que uma eventual «saída limpa» do programa de resgate não se ficará a dever exclusivamente a uma vontade portuguesa.

«A questão coloca-se em saber se a Europa está disposta ou não a um programa cautelar. E parece que não. Não me parece que haja um cautelar em perspetiva, infelizmente», declarou Nuno Morais Sarmento.

O debate teve, para além da organização da Câmara de Comércio Luso-Britânica, a colaboração das câmaras de Comércio e Indústria Luso-Francesa e Portugal-Holanda.