O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, entende que as promessas do PS reconhecem o mérito do Governo. Deu o exemplo da anunciada reposição dos salários da função pública, afirmando que só será possível porque o país está hoje melhor, depois dos quatro anos do Executivo PSD/CDS-PP. 

“O Partido Socialista reconhece que há hoje condições para que a economia possa gerar um dinamismo que tenha mais receita, menos desemprego e, por via disso, condições para remover a austeridade que desde 2010, com o último governo do partido socialista, tivemos de ter em Portugal”, disse, em conferência de imprensa na sede do PSD em Aveiro.

O presidente da bancada parlamentar do PSD e cabeça de lista por Aveiro da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) comentou assim a intenção do PS em repor dos salários da função pública, regozijando-se por “o PS entender que o país tem hoje uma economia suficientemente pujante e uma diminuição do desemprego consistente”, para o poder fazer.

“Nós somos mais prudentes e o nosso plano é conhecido: estamos já em 2015 a devolver aos funcionários públicos parte da redução salarial que desde 2010 esteve em vigor, com o governo de Sócrates, e tencionamos repor no prazo de mais três anos”.


Montenegro desafiou o PS a clarificar a sua proposta para a sustentabilidade da Segurança Social, em que considerou haver “uma confusão enorme” do lado socialista, “sendo muito difícil saber quem é, afinal, o porta-voz”.

“No partido socialista toda a gente dá palpites sobre as propostas da segurança social, mas ninguém consegue determinar com conta, peso e medida, o alcance das propostas, o que é mau para o esclarecimento dos portugueses”, atirou.

A propósito da utilização das verbas do fundo de estabilização da segurança social, o cabeça de lista da coligação referiu que primeiro veio o deputado Pedro Nuno Santos “dizer que essas verbas deviam ser utilizadas para aquisição de imóveis devolutos”, depois António Costa adiantar que uma parte, cerca de 10 por cento desse fundo [1400 milhões de euros] deviam ser alocados a reabilitação urbana e agora o deputado João Galamba que “nem é uma coisa nem outra, porque o que está em causa é fazer obras de beneficiação dos imóveis já propriedade da Segurança Social”.

Segundo Luís Montenegro, a confusão socialista começou “com os avanços e recuos” na proposta de diminuição da taxa social única, “sem nunca explicar o valor”, em termos de perda de receita da segurança social. O líder socialista “veio depois com a proposta nova de aproveitar as receitas das portagens” para financiar o sistema de Segurança Social, quando “as portagens são deficitárias, mesmo para o financiamento da rede viária”.

“Já tínhamos a certeza de que o Partido Socialista não iria estar disponível para termos uma convergência de posições em matéria de Segurança Social. Agora sabemos algo um pouco pior: é que há um grande zig zag nas propostas do partido socialista, demonstrativas de que não sabe bem o que quer”