O Governo apelou esta quinta-feira a uma continuação do diálogo com o PS em torno das questões em que estão de acordo e afirmou esperar que os socialistas estejam disponíveis para acordos que transcendam uma legislatura.

Esta posição foi assumida pelo ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, na conferência de imprensa sobre as conclusões do Conselho de Ministros, na qual referiu não contar com «qualquer tipo de surpresa» quanto ao sentido do PS em relação à moção de confiança do Governo.

O ministro da Presidência considerou que, apesar disso, é importante que «as sementes» de diálogo que foram «aprofundadas nas últimas duas semanas, e que o Governo já desde há dois ou três meses tinha vindo a tentar desenvolver, acabem por dar os seus «frutos».

Segundo Luís Marques Guedes, executivo PSD/CDS-PP pretende que a «abertura manifesta ao diálogo, quer com os partidos políticos, quer com os parceiros sociais» seja uma «marca da segunda parte desta legislatura».

O ministro defendeu que «o diálogo deve ser construído exatamente em torno daquilo em que estamos em acordo», argumentando: «Já sabemos que há muitas coisas em que estamos em desacordo, é essa a riqueza dos partidos, é essa a diferença entre os partidos políticos. Bater nessa tecla permanentemente não nos leva a lado nenhum».

«Eu espero que, nas circunstâncias em que o país se encontra e com os desafios e trabalhos que temos pela frente, seja possível encontrar da parte principalmente do PS, que é o principal partido da oposição, disponibilidade para fazer os acordos e entendimentos em torno de situações que sejam decisivas para o futuro do país, e nomeadamente aquelas que transcendem uma legislatura», concluiu.

Quanto ao sentido de voto do PS em relação à moção de confiança que o Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros, o ministro respondeu: «Não tenho a certeza, mas acho que já ouvi por parte dos dirigentes do PS a afirmação de que não têm confiança neste Governo, portanto, a questão da votação, eu penso que não terá qualquer tipo de surpresa».

Luís Marques Guedes insistiu que «a situação de dificuldade em que o país está carece de um deitar para o lado das diferenças», e que é esse «o sentir geral dos portugueses», ressalvando, porém, que elas «são salutares em democracia e necessariamente têm de existir entre os partidos políticos», cita a Lusa.

O Governo defende na moção de confiança que ao Parlamento uma «concertação alargada» com a oposição e os parceiros sociais sobre as posições a defender nos exames regulares da troika, assim como em relação às "reformas estruturais".

No texto da moção, o Executivo pede um voto de confiança para encerrar o programa de assistência económica e financeira e «projetar um novo ciclo, sustentado, de desenvolvimento e crescimento».

«Trata-se de um compromisso que pretendemos aberto e inclusivo, para agarrar os primeiros sinais de recuperação económica e lançar as bases do rumo do país no período pós-programa», sustenta o Governo.

«É essencial alargar a discussão democrática em torno dos grandes temas nacionais, ampliar o alcance da negociação política e social, e valorizar uma cultura de política de diálogo, cujas sementes foram lançadas, para novos entendimentos e acordos entre partidos e com parceiros sociais», lê-se no texto que a Lusa cita.