A força que uma moção de censura conjunta à esquerda teria e à qual o Bloco de Esquerda se mostrou hoje favorável, tendo mesmo dito que vai propor a redação de um único texto a PS e PCP, não encontrou o mesmo entusiasmo no secretário-geral do PCP.

Jerónimo de Sousa veio já sublinhar que esse assunto "nunca esteve presente nas reuniões bilaterais" feitas com as outras forças políticas à esquerda, nomeadamente PS e BE. E carregou mais no tom:

"E por que não uma moção separada?"


Jerónimo de Sousa falava na sede do PCP, em Lisboa, no final de um encontro com a Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Isto depois de o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, ter dito que "há tempo" para preparar uma única redação, uma vez que a moção só terá de ser apresentada aquando a apresentação e votação do programa de Governo, dias 9 e 10 de novembro.

Bastaria apenas uma das três moções de rejeição ser aprovada para derrubar o Governo. Mas o significado político da união à esquerda ao apresentar um único texto poderia dar-lhe mais consistência, uma vez que está em negociações para uma alternativa de Governo. 

Sobre o ponto em que estão as negociações com o PS, Jerónimo de Sousa classificou como importante a devolução ou não de rendimentos (salários e pensões), mas em prol da "honestidade e seriedade" das conversações alegou que não é ainda altura de detalhar um eventual acordo.

"Estamos a discutir a necessidade de medidas urgentes que reponham aquilo que foi cortado aos trabalhadores, reformados, empresários. Como é que chegamos lá? É este o ponto em que nos encontramos"