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Passos para Seguro: «Se é uma alternativa, tem de dizer qual é»

Primeiro-ministro comentou a carta enviada pelo PS à troika e avisou que é preciso «tirar as consequências» do desejo de eleições

Por:
/ Cláudia Lima da Costa    |   2013-04-03 17:04

Passos Coelho avisou o PS que o programa de resgate seria «suspenso» caso o Governo caísse e fossem realizadas eleições, conforme a «aspiração» de António José Seguro.

«Com a sinalização de rutura com o Governo e o desejo de eleições, o PS quer suspender a execução do programa e a negociação de um segundo resgate. É preciso que tire as consequências do que quer», afirmou o primeiro-ministro, dirigindo-se ao secretário-geral socialista.

Com a carta que António José Seguro enviou para a troika na mão, Passos Coelho acusou o PS de não ter uma «alternativa séria» e de apresentar apenas uma «lista de generalidades».

«Se é uma alternativa, tem de dizer qual é. Não se refugie em frases ocas», afirmou, incentivando Seguro a falar de prazos e objetivos. «Quais são exatamente as condições que pretende?», insistiu.

Para o primeiro-ministro, o PS tem de «esclarecer que não está simplesmente no bota-abaixo e a aproveitar o descontentamento» dos portugueses com a «encenação» de uma moção de censura.

Antes, Seguro tinha acusado Passos de «falta de sentido de Estado» ao imputar ao PS o desejo de uma crise política.

«Instabilidade política? Olhe para o seu lado esquerdo [onde se encontrava Paulo Portas]. Desde sempre que este Governo vive em instabilidade política. Instabilidade política é a sua postura e a sua incoerência. Não venha meter medo a ninguém», disse o socialista.

Para Seguro, o primeiro-ministro está «em estado de negação». «Contenta-se com as avaliações positivas da troika, mas é incapaz de reconhecer o mal que está a fazer ao país», concluiu.

PSD acusa PS de «jogo político»

O deputado Miguel Frasquilho acusou o PS de «jogo político» ao apresentar a moção de censura, avisando António José Seguro que François Hollande também cometeu o erro de querer ser «o salvador da Europa».

Para o vice da bancada laranja, os socialistas estão a «tentar ganhar eleições» com «duas caras», ao «prometer ilusões» aos portugueses e, «na vertente externa, prometer aos credores que cumpre tudo como foi acordado».

PCP afasta-se do PS

Jerónimo de Sousa anunciou o voto dos comunistas a favor da moção de censura do PS, porque «se esgotou a propaganda e o tempo deste Governo».

No entanto, para o secretário-geral do PCP, não é o programa que deve ser renegociado, como defendeu António José Seguro, mas sim a dívida.

Na resposta, Passos Coelho considerou que uma solução dessas «só é adotada quando um Governo não tem mais nenhuma outra para oferecer». «É o fim de linha, quando nada mais resultou. Isso é o não pagamos e ,quando se chega aí, a dor e o sofrimento dos países e das pessoas não tem limite», avisou.

Já o Partido Ecologista «Os Verdes» lembrou que «o PS não está isento de responsabilidades na atual situação», tendo Passos Coelho aproveitado para recordar que o PSD, na oposição, viabilizou propostas socialistas porque «era importante que o mandato e o programa desse partido fosse cumprido». «Mas o PS não cumpriu e não consegue cumprir estando na oposição e o que nos propõe é o regresso ao passado», criticou.

Mais moções de censura

Segundo a coordenadora bloquista, Catarina Martins, o Governo enfrenta não só a moção de censura do PS, mas também a do Tribunal Constitucional e mesmo a do CDS, «que vai à televisão pedir a substituição de ministros».

O primeiro-ministro respondeu apenas: «Não sei o que vai decidir [o TC] e presumo que a senhora deputada [Catarina Martins] também não sabe».

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EM BAIXO: Debate da Moção de censura do PS no Parlamento (José Sena Goulão/Lusa)
Debate da Moção de censura do PS no Parlamento (José Sena Goulão/Lusa)

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