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Moção de censura: CDS vai abster-se

Partido diz que iniciativa do BE «é teatro» e que não visa «a queda do Primeiro-Ministro»

Por: Sara Marques  |  14- 2- 2011  23: 24

O CDS-PP divulgou esta segunda-feira em comunicado que vai optar pela «abstenção» na votação da moção de censura ao Governo que será apresentada pelo Bloco de Esquerda.

No documento enviado às redacções esta segunda-feira à noite, o CDS afirma que «rapidamente se percebeu que [a moção de censura] era teatro» e que «o anúncio foi seguido por uma bizarra sucessão de declarações de dirigentes do Bloco de Esquerda, segundo as quais a referida moção não tem por objectivo a queda do Primeiro-Ministro, não visa a substituição do Governo, nem pretende devolver a palavra aos Portugueses, mediante eleições».

«O Bloco de Esquerda diz que quer censurar José Sócrates, mas afinal quer mantê-lo no poder; sabe que precisa de apoios para a sua iniciativa, mas afasta-os», diz o comunicado.

O partido defende que «as moções de censura não devem ser tácticas, tantas são as dificuldades que tantos Portugueses atravessam. Por isso, só interessam as que promovam uma mudança política efectiva. Se o Bloco de Esquerda não quer substituir José Sócrates, está a fazer-lhe, provisoriamente, um favor».

No comunicado, o CDS adianta que quando anunciou a moção, o BE conhecia a posição do partido liderado por Paulo Portas. «Se não fossem sectários, se quisessem mesmo dar aos Portugueses o direito democrático de se desembaraçar deste Primeiro-Ministro, sabiam que teriam uma reacção positiva da nossa parte. Deliberadamente, não a quiseram. Fica até a ideia de que, se o CDS ou porventura o PSD votassem favoravelmente a moção, o Bloco correria aflito a retirá-la».

«O CDS, evidentemente, desvaloriza uma moção de censura que não é a sério. A abstenção é o voto possível», adianta o comunicado, mas o partido «reafirma que está disponível para avaliar favoravelmente iniciativas que não sejam sectárias nem tácticas».

O partido ainda ainda que se «reserva o direito» de «tomar iniciativas sérias e consensuais que promovam efectivamente a mudança de ciclo político, a saída do Primeiro-Ministro, e o termo desta política».

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