O primeiro-ministro em funções, Augusto Santos Silva, afirmou que todos os membros do Governo “estão em plenitude de funções” e que a “responsabilidade maior” do executivo é “averiguar os factos e responsabilidades”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, que substitui o primeiro-ministro, António Costa, durante a sua ausência do país em gozo de férias, escusou-se hoje a comentar o pedido de demissão dos ministros da Defesa e da Administração Interna feito esta segunda-feira pela líder da CDS-PP, Assunção Cristas, após ser recebida, a seu pedido, em Belém pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Não tenho nada a dizer, [as declarações] responsabilizam a senhora deputada Assunção Cristas, afirmou apenas, falando aos jornalistas em Lisboa, à margem da abertura do “Encontro Ciência 2017”, numa sessão sobre o tema “Ciência na Diplomacia, Diplomacia com Ciência”.

Santos Silva referiu depois que “a composição do Governo é da responsabilidade do primeiro-ministro”, e acrescentou que “todos os ministros e ministras estão em plenitude de funções, a realizar o seu trabalho”.

Quanto à assunção de responsabilidades, o governante disse: “A nossa responsabilidade maior nos dias que correm é justamente averiguar os factos e averiguar as responsabilidades”.

Estes ministros não souberam estar à altura das suas responsabilidades, as demissões são inevitáveis e temos de o dizer sem hesitações e sem rodeios: senhor primeiro-ministro, volte e demita-os", exigiu Assunção Cristas.

A líder centrista argumentou que, após a tragédia de Pedrógão Grande e o furto de armamento em Tancos, há "uma crise de autoridade, há uma crise de comando" e há "uma crise de confiança" e esta "só será resolvida com a demissão destes ministros".

Instado a comentar declarações do líder da bancada parlamentar do PS, Carlos César, que considerou que “falar de demissões é muito pouco para um partido que esteve quatro anos no Governo e que é um dos principais responsáveis pela degradação a que chegámos em matéria de serviços públicos”, Santos Silva disse que “por razões da crise financeira de 2008, da crise das dívidas soberanas de 2010 e do programa de ajustamento, houve cortes na despesa pública e nos serviços públicos, muitos deles sem critério”.

“A reconstrução dos serviços públicos é também uma prioridade”, assinalou Santos Silva, que elencou o reforço da qualidade e da acessibilidade dos serviços públicos e a modernização da administração pública “entre as reformas mais prioritárias”.

“A reforma da administração pública do atual Governo em nada se confunde com um famoso texto em carateres de 20 ou 30 pontos que nada dizia”, afirmou.

Em outubro de 2013, Paulo Portas, então vice-primeiro-ministro e líder do CDS-PP, apresentou o guião da reforma do Estado, um documento com 112 páginas, com um grande espaçamento e tamanho de letra.