O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, condenou a «catástrofe humana de grandes dimensões» a que se assiste no Iraque, tema que será debatido numa reunião de emergência dos MNE europeus na sexta-feira, em Bruxelas.

«Estamos, no que diz respeito ao Iraque, particularmente preocupados com a evolução [da situação], porque estamos a assistir a uma catástrofe humana de grandes dimensões. Em particular, são lamentáveis e censuráveis os ataques contra as minorias étnicas e religiosas do país», disse esta terça-feira à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa.

«Portugal condena firmemente as atrocidades que têm vindo a ser praticadas pelas forças extremistas e terroristas sob o comando do grupo Estado Islâmico, que é um fenómeno recente depois da declaração do califado, mas que tem tido consequências extremamente graves», frisou.

Por outro lado, prosseguiu Rui Machete, Portugal apoia «os esforços da comunidade internacional, nos quais a União Europeia participa ativamente, para que se possa aliviar, na medida do possível, o sofrimento das populações que têm sido atingidas por estas atrocidades e atos de terrorismo».

O ministro salientou também que o Governo português apoia «as ações das autoridades iraquianas e norte-americanas e ainda de outros parceiros internacionais no sentido de deter o avanço das forças do grupo Estado Islâmico e, portanto, os esforços de luta contra o terrorismo».

Mas, advertiu, «é bom não ter ilusões: só um diálogo político abrangente, com vista a uma reconciliação nacional, permitirá melhorar significativamente a situação».

«Isto significa que só a via política permitirá alcançar uma paz duradoura no Iraque», defendeu, acrescentando, contudo, que tal «exige uma união dos iraquianos que está longe, ainda, de ser alcançada, e que estes manifestem uma vontade clara e firme de eliminar as causas do terrorismo para que seja possível reconstruir o país».

Neste contexto, Rui Machete destacou a importância da nomeação de um novo primeiro-ministro, al-Abadi, «que representa um importante passo no processo constitucional iniciado pelas eleições legislativas em abril».

«[Agora] temos de apelar para que haja uma rápida formação de um executivo inclusivo», sublinhou.

Tudo isto, referiu, «será objeto de análise e discussão no conselho extraordinário dos ministros dos Negócios Estrangeiros que vai ser reunido na próxima sexta-feira em Bruxelas, e em que se vai debater a atual situação no Iraque, mas também os problemas na Líbia e em Gaza, e é natural que também se discuta algum aspeto relacionado com a Ucrânia».

A reunião, marcada para as 12:00 (11:00 em Lisboa), tinha sido pedida por França, cuja Presidência anunciou hoje que vai enviar armas aos curdos iraquianos que tentam repelir os jihadistas do Estado Islâmico no norte do país.

Na terça-feira, os embaixadores da UE reuniram-se para coordenar as ações no Iraque e acordaram reforçar a coordenação humanitária e o acesso aos deslocados¿ no país e deixar aos Estados membros a decisão de entregarem ou não armas aos combatentes curdos.