O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou hoje que as recentes ações da Rússia na Ucrânia tiveram consequências radicais no relacionamento com a Europa e Estados Unidos, mas que a NATO continua a esperar um desanuviamento da situação.

NATO suspende cooperação com a Rússia

O governante português falava à agência Lusa e à rádio Antena 1, no final do primeiro dia da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança Atlântica, em Bruxelas.

Rui Machete vincou que «a Rússia não ficará impune se continuar a violar o direito internacional», mas que os países europeus e Washington continuam a querer «encontrar uma via que passe o desconforto» existente, mas simultaneamente «seja proporcional e adequada para não quebrar os canais diplomáticos».

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros afirmou que «a perceção» em relação a Moscovo mudou, mas disse esperar que «essa perceção possa não ser a verdadeira Rússia, a de um império que abusa do seu poder e força para violar as regras de convívio com um país vizinho e a sua integridade territorial».

Na reunião ministerial, Machete disse que os 28 aliados procuraram chegar a uma posição de equilíbrio e que Portugal foi, a par dos «Estados Unidos, da Alemanha ou da França» um dos países que «manifestaram a ideia de que as sanções têm de ser graduais e adequadas ao comportamento da Rússia».

«Não estamos numa situação de Guerra Fria, mas é evidente que esta é uma situação completamente diferente da que era há uns cinco meses atrás, isto era impensável, houve até alguns mais idealistas que achavam que qualquer dia a Rússia poderia integrar a NATO ou a União Europeia, isto hoje é uma alteração radical das circunstâncias e uma modificação da perceção do relacionamento entre a Rússia e o Ocidente, em particular a NATO e a União Europeia», declarou.

Rui Machete defendeu que é preciso ter «esperança» numa melhoria da situação, porque a União Europeia e a Rússia têm uma relação de forte interdependência, não só em termos económicos, mas também geopolíticos, apontando, por exemplo os casos do Irão e da Síria.