O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, defendeu hoje que a Europa tem «particulares obrigações e responsabilidades» no combate a grupos terroristas, mas alertou que os países muçulmanos devem também «ser solidários» nesse combate.

No combate aos «grupos terroristas, extremistas e radicais», a Europa «tem particulares obrigações e responsabilidades», uma vez que «tem servido de terreno fértil no recrutamento» para as fileiras de grupos como o «autodesignado EI», declarou o ministro, na abertura do colóquio «Portugal e a I Grande Guerra Mundial (1914-1918)», a decorrer hoje no parlamento.

Mas, acrescentou, «os Estados de maioria muçulmana têm igualmente de ser solidários neste combate».

No Iraque e na Síria estarão envolvidos 12 mil combatentes estrangeiros, oriundos de cerca de 80 países, referiu Machete, que acrescentou que, destes, mais de 2.500 são provenientes de países europeus e aproximadamente 600 terão regressado à Europa nos últimos meses.

«Estes são flagrantes exemplos de como, em pleno século XXI, perduram ameaças efetivas à paz e à segurança mundial, que exigem a nossa preocupação e vigilância, e que convocam, em primeira linha, a própria Europa», considerou o chefe da diplomacia portuguesa, que acentuou a necessidade do reforço do papel da União Europeia, «tanto no plano político como institucional, bem como o seu peso na cena internacional».

No entanto, salientou, «constituiria um grave erro considerar este como um problema apenas do Ocidente».

«Todos os países que respeitam a pessoa e os seus direitos, consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, devem empenhar-se na conversão dos que desprezam estes valores», defendeu Rui Machete.

Na sua intervenção, o ministro referiu ainda «a crise na Ucrânia e a anexação ilegal da Crimeia», acontecimentos que «ressuscitaram tensões» que se julgavam ultrapassadas.

A situação continua a representar «uma preocupação grave para a comunidade internacional», admitiu, reiterando o apelo para o «cumprimento integral» do cessar-fogo, «fundamental para a estabilização do país e para uma solução duradoura».

Sobre o relacionamento internacional com a Rússia, Machete reconheceu que os acontecimentos «justificam repercussões», mas sublinhou que a importância de manter um «diálogo estratégico» com aquele país é «essencial para a resolução de diversos dossiês cruciais da agenda internacional».

Sobre o centenário da I Guerra Mundial, o governante assinalou a necessidade de «reverter o progressivo apagamento da memória deste conflito, não ignorando também a sua principal sequela, a II Guerra Mundial», sugerindo que os jovens e as escolas devem ser os principais destinatários das evocações.