O presidente da Comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, Alberto Martins, reuniu-se hoje com o embaixador de Angola em Portugal, José Marcos Barrica, segundo uma nota do parlamento.

O encontro acontece um dia depois de o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, ter anunciado o fim da pretensão de estabelecer uma parceria estratégica com Portugal, durante um discurso na Assembleia Nacional de Angola sobre o estado da Nação.

"Só com Portugal, as coisas não estão bem. Têm surgido incompreensões ao nível da cúpula e o clima político atual, reinante nessa relação, não aconselha à construção da parceria estratégica antes anunciada", disse o chefe de Estado angolano.

Portugal e Angola têm previsto realizar em Luanda em fevereiro de 2014 a primeira cimeira bilateral, anunciada em fevereiro deste ano pelo então ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas.

O Governo português manifestou surpresa com as palavras de José Eduardo dos Santos e reiterou a importância e o "alcance estratégico" que tem atribuído ao relacionamento bilateral com Angola.

"O Governo português tem defendido e praticado uma consistente atividade visando o estreitamento da relação especial com o Governo angolano. De facto, os laços particulares que unem os dois povos e as duas nações mais do que justificam essa prioridade da política externa portuguesa", lê-se num comunicado do executivo PSD/CDS-PP divulgado na terça-feira pelo gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Quanto à oposição, o PS manifestou ¿grande preocupação" perante a "crescente tensão" diplomática entre Portugal e Angola, responsabilizando o executivo português pela "lamentável deterioração" das relações, e apelou a um urgente "espírito de compromisso".

Por seu lado, o PCP, pela voz do deputado António Filipe, defendeu a "salvaguarda" das relações bilaterais entre os Estados de Portugal e de Angola, após as "declarações inaceitáveis" do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, apelando aos "esforços de todas as partes".

Já o BE, através do seu líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, considerou que a postura do Presidente de Angola é um desrespeito e uma pressão sobre Portugal, consequência da gestão do caso envolvendo o ministro Machete, considerando que "quem não se dá ao respeito, não é respeitado".

O Bloco desafiou ainda o primeiro-ministro a prestar esclarecimentos sobre esta matéria.

O chefe da diplomacia portuguesa, Rui Machete, pediu desculpa a Luanda por investigações do Ministério Público português a empresários angolanos, numa entrevista à Rádio Nacional de Angola transmitida em meados de setembro, em que afirmou que as investigações não eram mais do que burocracias e formulários referentes a negócios de figuras do regime angolano em Portugal.

Numa nota enviada à Lusa, Rui Machete justificou as declarações com a interpretação de um comunicado do Departamento Central de Investigação Criminal (DCIAP) de 2012.