O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou que «há uma grande esperança» em que a Guiné-Bissau regresse à normalidade democrática após as eleições, garantindo que Portugal irá retomar as relações com este país.

As eleições guineenses decorreram a 13 de abril, dando a maioria absoluta ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), liderado por Domingos Simões Pereira, após dois anos de um governo de transição na sequência de um golpe de Estado. Falta agora eleger o próximo Presidente, numa segunda volta, marcada para 18 de maio.

«As eleições correram bem. Há uma grande esperança», disse Rui Machete, que salientou que o ato eleitoral «foi claro» e os «resultados não são contestáveis». O ministro falava aos jornalistas à margem de uma conferência sobre as relações entre a União Europeia e África, onde interveio na sessão de encerramento, em Lisboa.

O chefe da diplomacia portuguesa defendeu a necessidade de «criar as condições para que não volte a haver golpes de Estado militares», pelo que há que «cuidar dos militares da Guiné-Bissau e dar-lhes a tranquilidade suficiente para poderem assumir o seu papel num país democrático», garantindo o apoio de Portugal nesse sentido.

Sublinhando que, apesar do «problema» com o governo "de facto" na Guiné-Bissau, «a solidariedade [de Portugal] com o povo guineense não foi interrompida», o governante prometeu a solidariedade portuguesa para a saída de uma crise «muitíssimo difícil».

«Também ajudaremos o governo da Guiné-Bissau numa tarefa muito difícil que tem pela frente», que é a de «sair dessa crise e recuperar muito do tempo perdido», referiu.

O objetivo é que «se recriem todas as condições necessárias para que a Guiné-Bissau retome o seu lugar entre os países africanos democráticos», acrescentou.

Machete garantiu que, também a nível diplomático, serão restabelecidas as relações diplomáticas entre Lisboa e Bissau.

Questionado sobre se a TAP irá retomar a ligação aérea entre as capitais dos países, interrompida em dezembro por problemas de segurança depois do embarque forçado em Bissau de passageiros ilegais, Rui Machete afirmou que «tudo isso decorrerá do desenvolvimento natural e do restabelecimento natural da normalidade».

«Só há ainda as eleições, mas em breve recuperaremos o tempo perdido, espero eu», sustentou.

Rui Machete enviou, a propósito dos resultados eleitorais das legislativas, uma carta de felicitações a Domingos Simões Pereira.