O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional disse, esta quinta-feira, em Lisboa, que um dos problemas mais sérios de Portugal é o «inverno demográfico» e que a emigração por falta de oportunidades não deve acontecer.

PS acusa Poiares Maduro de falar sobre emigração com «falta de vergonha»

«O que não deve acontecer é as pessoas serem forçadas a emigrar porque não têm oportunidades de emprego no seu país. É nosso entendimento que uma política inteligente de imigração, atraindo, por exemplo empresários, pode ajudar a criar oportunidades em falta», disse Miguel Poiares Maduro, no encerramento da Conferência sobre Migrações organizada pela Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa.

De acordo com o ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, uma maior mobilidade dos cidadãos é um fator positivo e poder sair para procurar novas oportunidades e conhecimentos é uma vantagem para o próprio de que pode também beneficiar o país.

«O que é importante é criarmos as condições para que quem saia, o faça por vontade, e não por necessidade. Se for esse o caso, quem sair pode regressar com outras qualificações e conhecimentos. Pode estabelecer redes internacionais. Enriquece-se, para depois enriquecer o país», acrescentou o ministro.

Poiares Maduro, considerou que um dos problemas mais sérios que o país atravessa é o «inverno demográfico» e que, por isso, defende a atração de imigrantes qualificados que, «por muito estranho que possa parecer», pode favorecer o estancamento da emigração.

Nesse sentido, voltou a referir-se à «proatividade que se requer» para uma nova política de imigração e a «circularidade emigração/imigração» que levou à instituição do Alto Comissariado para as Migrações a partir da reforma do anterior Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural.

O ministro afirmou ainda que Portugal está hoje em acelerada mutação, procedendo às reformas e ajustamentos necessários para colmatar «o seu mais pesado défice, um défice de competitividade da sua economia».

Sendo assim, defendeu a expansão do «capital humano» como um dos fatores determinantes do aumento da competitividade e que a imigração pode ser um «poderoso» contributo para a expansão. «O país tem tudo a ganhar em políticas ativas de atração de estudantes estrangeiros. O ensino superior é um serviço transacionável e o desenvolvimento do setor transacionável da nossa economia é uma trave mestra da luta pela competitividade. O ensino superior pode ser e deve ser um bem exportável», disse ainda Miguel Poiares Maduro.

A Conferência sobre migrações contou com a presença do professor britânico Paul Collier, da Universidade de Oxford e conselheiro do Departamento de Estratégia e Políticas do Fundo Monetário Internacional, do secretário de Estado adjunto do ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Pedro Lomba, e de Luís Amado, administrador do BANIF e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros.