O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional considera que a elevada abstenção nas europeias de domingo passado deve conduzir à reflexão sobre a qualidade da cultura política, defendendo que discursos mais extremistas afastam as pessoas da democracia.

Miguel Poiares Maduro falava aos jornalistas esta quinta-feira, no Porto, no final da inauguração da exposição «A Liberdade da Imagem: Design e Comunicação Visual em Portugal (1974-1986)», onde considerou que todos os agentes da democracia devem refletir como é que é possível «contribuir para um debate político que seja mais sobre os temas e talvez um pouco menos sobre a intriga, sobre os factos políticos artificiais».

«O elevado grau de abstenção que aconteceu não apenas em Portugal, mas também na Europa, deve levar-nos a refletir sobre a qualidade, em primeiro lugar, da nossa cultura política, da razão pela qual as pessoas sentem alguma dificuldade, alguma inércia, em participar politicamente», observou.

Rejeitando comentar questões políticas internas de partidos, quando questionado sobre a situação de instabilidade no PS, o ministro garantiu que esta análise que faz é «mais de fundo e mais ampla».

Poiares Maduro escusou-se ainda a «especular» sobre decisões do Tribunal Constitucional, quando interrogado pelos jornalistas, respondendo apenas que «o Governo toma as suas decisões de acordo com aquilo que julga ser o melhor para o país e naturalmente também atendendo ao que crê ser conforme à Constituição».

«Nós partimos do pressuposto de que as decisões que tomamos são constitucionais e não vamos especular sobre qualquer outra possível consequência. Se houver decisão do Tribunal, apreciaremos a decisão e a seguir agiremos em conformidade com ela», acrescentou.

O ministro declarou ainda que, por vezes, «são discursos políticos talvez um pouco mais extremistas, menos assentes nas questões de fundo e mais nas questões incidentais, que também ajudam a afastar as pessoas da política e da participação no processo democrático».

Poiares Maduro sugeriu, por isso, que se contribua para «uma cultura política que equilibre melhor as dimensões de compromisso e de competição eleitoral».

«A existência de diferentes projetos políticos alternativos é fundamental para alimentar a democracia, mas também tem que ter uma margem para o compromisso, para o consenso. Todos os sistemas democráticos evoluídos têm que conseguir gerar um equilíbrio entre a dimensão de cooperação e a dimensão de compromisso», apelou.