O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, alertou esta segunda-feira, em Paris, que a garantia ambiental "é muito forte", mas que o compromisso formal "ainda não está garantido" relativamente a um acordo vinculativo para conter a subida da temperatura média do planeta nos dois graus.

"Tudo faremos para isso no contexto da União Europeia. Sabemos que neste momento o compromisso ambiental é um compromisso muito forte. O compromisso formal, fazendo nós tudo por isso, não está ainda garantido e é para isso que vamos trabalhar estes dias."


João Matos Fernandes falou à margem da sessão de abertura da Conferência da ONU sobre o Clima, a COP 21, em Paris, que vai prolongar-se até 11 de dezembro. O objetivo da cimeira é conseguir um acordo com vista a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e conter a subida da temperatura média do planeta nos dois graus.

O governante que, juntamente com o primeiro-ministro António Costa representa Portugal na COP21, sublinhou que o facto de os países que representam 95% das emissões de gases com efeito de estufa já terem entregado o seu plano para a redução das emissões "é sem dúvida um bom começo". Ainda assim, destacou que "este conjunto de compromissos não chega".

"Com este conjunto de compromissos ficaremos com o aquecimento global de 2,7 a 3 graus até ao final do século XXI. Por isso é que é fundamental que de Paris saia um mecanismo claro de revisão deste acordo a cada cinco anos (...) Acreditamos que, mesmo que de Paris não saia o acordo que firme os dois graus, ao longo do século - particularmente nesta primeira metade do século, mas temos de começar a trabalhar já - isso será possível."


O ministro vai voltar a estar na COP21 na próxima semana, nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, estando o governo representado a 7 e 8 de dezembro pelo secretário de Estado do Ambiente Carlos Martins.

São cerca de 200 os países representados pelas mais altas figuras dos Estados e que marcam presença num evento de alto nível e apertada segurança, decorridas pouco mais de duas semanas dos  atentados que mataram 130 pessoas e que lançaram o pânico na capital francesa.