A vice-presidente do PSD Teresa Morais considerou esta sexta-feira que o ministro das Finanças vai ter "uma nova oportunidade" para explicar tudo aquilo que entenda "aos deputados sobre a sua primeira declaração" na comissão de inquérito do Banif.

Na quinta-feira, o PSD tinha acusado o ministro das Finanças de prestar "um depoimento falso" na comissão de inquérito do Banif sobre o seu papel na venda ao Santander Totta e que iria requerer o regresso do governante à comissão, estando esta nova audição já marcada para terça-feira.

O senhor ministro Mário Centeno vai ter seguramente na comissão de inquérito uma nova oportunidade de explicar tudo aquilo que entenda que deve explicar aos deputados sobre a sua primeira declaração, em que parece claro que não foi rigoroso relativamente à informação que hoje é disponível", disse Teresa Morais aos jornalistas quando questionada na conferência de imprensa após a primeira comissão política do PSD.

Na opinião da vice-presidente do PSD se o ministro das Finanças "entende que houve algum equívoco, vai ter com certeza oportunidade de o explicar no lugar certo, que é a comissão de inquérito, onde vai voltar seguramente".

Teresa Morais foi ainda questionada pelos jornalistas sobre as condições que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, para se manter no cargo – assunto que a vice-presidente do PSDesclareceu que não esteve em discussão na comissão política.

Não deve caber aos partidos políticos pronunciarem-se sobre as condições de permanência no cargo do senhor Governador do Banco de Portugal. Nós não alinharemos nesse coro", respondeu apenas.

Sobre as declarações do atual responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Europa, que numa conferência de imprensa hoje em Washington avisou que Portugal precisa de adotar medidas adicionais para atingir a meta do défice este ano, considerando que a situação difícil em que está o país resulta de ter negligenciado a política orçamental nos últimos dois anos, a vice-presidente do PSD respondeu que "será o Governo a ter que explicar se vai ou não ter que tomar medidas adicionais e por que razão é que as tomará se for caso disso".

No que diz ao respeito ao passado, o Governo de que o PSD fez parte e liderou tomou todas as medidas necessárias ao cumprimento de um memorando a que estava obrigado, de onde de resto o país saiu bem-sucedido e reconhecido internacionalmente como tendo alcançado os objetivos que se propunha", recordou apenas.

Na opinião de Teresa Morais, "se o FMI vem agora fazer críticas para trás, elas terão que ser analisadas de novo uma vez que o fim do programa de ajustamento não mereceu críticas no momento em que ele terminou".

A nova comissão política do PSD, que se reuniu hoje pela primeira vez desde o Congresso do partido (a 02 e 03 de abril, em Espinho), foi eleita com quase 79,8% dos votos, o pior resultado para este órgão desde que Passos Coelho é presidente do partido.