O PSD pediu, esta sexta-feira, a demissão do ministro da Saúde, considerando que, perante o “descalabro” no setor é a única atitude que se espera. Pouco depois, Adalberto Campos Fernandes reagiu ao apelo e afirmou que o partido "está a cavalgar uma espécie de frenesim populista".

"Nós já estamos habituados. Faz parte do exercício quase quinzenal. De 15 em 15 dias o que o PSD está a fazer é cavalgar uma espécie de frenesim populista (...) Restando pouca coisa da política e das propostas, resta trabalhar o soundbyte", afirmou o ministro da Saúde.

O ministro respondeu que, “no ‘ranking’ dos pedidos demissão”, de ministros de Saúde dos últimos anos ele é o que terá “menos pedidos de demissão”.

“Um ministro não governa para 100 mil pessoas, governa para 10 milhões de pessoas”, comentou, acrescentando que um ministro tem de estar preparado para ser contestado.

Adalberto Campos Fernandes reagiu ainda ao encontro de responsáveis hospitalares apenas com elementos do Ministério das Finanças, assim como há “dezenas ou centenas” de encontros só com o Ministério da Saúdo, dizendo que é normal haver reuniões.

Em declarações aos jornalistas no final de um debate parlamentar, o ministro diz que há uma “exploração mentirosa do que é uma rotina normal” e indica que é normal haver reuniões técnicas de responsáveis hospitalares apenas com elementos do Ministério das Finanças.

“Como existem dezenas ou centenas só com a Saúde”, afirmou, lembrando que os hospitais EPE têm uma tutela partilhada entre a Saúde e as Finanças.

O Ministério das Finanças afirma, por seu turno, em comunicado, que não comenta “reuniões de trabalho que eventualmente possa ter ou ter tido com entidades sob sua direção, tutela, superintendência, sobre as quais exerça a função acionista ou que lhe estejam adstritas, nos termos legais”.

Sublinha ainda que lhe “cabe avaliar o investimento público o que, feito com rigor e responsabilidade, implica um adequado conhecimento das condições em que esse investimento é realizado”, sublinhando que este trabalho é feito sempre em estreita coordenação com as tutelas setoriais.