O ministro da Saúde disse esta sexta-feira que o facto de a porta-voz do BE falar como "sendo a primeira-ministra de um Governo", que não se sabe se vai acontecer, é um problema do PS e não da coligação PSD/CDS-PP.

Fernando Leal da Costa, titular da pasta da Saúde, falava aos jornalistas no final de uma visita ao Hospital de Santo António, no Porto, onde foi questionado sobre o programa do Governo hoje entregue na Assembleia da República, que na área da saúde se propõe a criar mais de 100 novas unidades de saúde familiar, uma bandeira eleitoral do PS que não constava da proposta da coligação, retirando ainda a devolução dos hospitais às Misericórdias, que tinha sido amplamente criticada pelos partidos da esquerda.

"Eu bem sei que tem havido por parte da comunicação social uma grande preocupação em torno do pensamento do Bloco de Esquerda. Também sei que Catarina Martins, neste momento, fala como sendo a primeira-ministra de um Governo que nós não sabemos se vai acontecer, mas esse é um problema do PS, não é um problema da coligação", comentou.


Na opinião do ministro da Saúde que sucedeu a Paulo Macedo, a coligação fala pelas suas promessas, por aquilo que vai cumprir, garantindo que o Governo tem "um programa muito ambicioso", que vai concretizar durante os próximos quatro anos se forem dadas as condições, "como aliás os portugueses pediram votando maioritariamente na coligação que ganhou".

"Desde a primeira hora entendemos que todo o processo político é um processo de compromissos. Nós entendemos que, em qualquer conversação que será necessária estabelecer com as forças que neste momento estão na oposição, há a necessidade de inteligentemente estabelecermos compromissos. E é isso que temos feito", garantiu.


Quando questionado sobre esta questão do abandono da devolução dos hospitais às Misericórdias ser uma cedência à esquerda, Fernando Leal da Costa foi perentório: "Nós não olhamos para a política num jogo de ganhos e cedências".

"Nós olhamos para a política num ganho de construções que é aquilo que a oposição ainda não foi capaz de nos apresentar, que é uma construção alternativa àquilo que é o grande programa de Governo, que será apreciado em sede parlamentar, na próxima semana", concretizou.

O ministro da tutela reiterou ainda que este é um "programa de construção, um programa que cria condições para que a saúde dos portugueses durante a próxima legislatura possa ainda melhorar mais".