Entrevistado no Jornal das 8, da TVI, o ministro da Economia não escapou à pergunta – e até sorriu – quando José Alberto Carvalho anunciou que íamos rever o vídeo viral das «taxas e taxinhas», um momento de ironia por Pires de Lima, no Parlamento, na quinta-feira. Antes, o governante acedeu, pedindo só «alguns segundos» de repetição. Depois, assumiu que não planeou aquele momento, mas tem «sentido de humor»: «Sei rir de mim próprio», realçou.

«Não planeei aquele momento e nem me apercebi na altura que tivesse a dimensão viral que acabou por ter. Tenho algum sentido de humor e sei rir-me de mim próprio. Há políticos que não são assim. Confesso que procuro ser autêntico»

O ministro admitiu a «ironia extensa» e que haja pessoas que não tenham «achado graça» e que «não compreenderam», mas não se arrepende: «Tive intuição que talvez fosse importante chamar a atenção dos portugueses, nem que fosse daquela forma, com uma ironia bastante extensa, para aquilo que eu previa que pudesse acontecer para a câmara de Lisboa, que não é orçamento qualquer», disse, aludindo à criação de uma taxa turística para quem visite a capital, uma medida de António Costa.

A sua intervenção foi há uma semana, na quinta-feira. Dias depois, entende que a mensagem que quis passar, passou efetivamente:

«Todos perceberam a substância daquilo que eu queria chamar a atenção: há pessoas que olham para isso como uma oportunidade imediata para taxar, para criar taxas e taxinhas, transferindo riqueza para financiar um centro de congressos que ninguém pediu (…) e para o extinguir quando virar megalomania que todos recordarão pelo seu custo; e há outras pessoas que procuram olhar para a criação de riqueza como oportunidade para capitalizar as empresas» 

Aproveitou para ilustrar: «Ainda há uns dias, dizia-me um empresário de quem não vou dizer o nome: eu preciso de ter lucros para aumentar trabalhadores que durante quatro anos não foram aumentados e que foram importantes para que a minha empresa pudesse resistir».

Também ele, que foi presidente da Unicer, lembrou isso mesmo, que «durante muitos anos» também trabalhou em empresas e procurou «ser assim».

O próprio Governo teve «oportunidade» para criar esta taxa. «Eram 120 milhões de euros que íamos tirar às empresas para financiar despesa pública e resistimos. É preciso fazer demonstração dessa diferença».

A forma que Pires de Lima encontrou para a fazer foi com um momento que, certamente, ficará para a história deste Governo e das discussões no Parlamento. As redes sociais já a imortalizaram na Internet. «Admito que foi uma ironia extensa, mas acho que uma semana depois toda a gente percebe o que fiz», concluiu.

Na mesma entrevista, o governante  foi questionado, inicialmente, sobre a venda da TAP, cuja privatização foi aprovada esta quinta-feira, em Conselho de Ministros. Defendeu a solução encontrada pelo Governo, dizendo que   «a obsessão por capital nacional às vezes produz as maiores asneiras» . No que toca às detenções em três ministérios deste Governo, por alegada corrupção na atribuição dos vistos gold, saudou o facto de as autoridades estarem a fazer o seu trabalho, mas advertiu que «não devemos entrar em masoquismos».