vídeo viral das «taxas e taxinhas»

«Não planeei aquele momento e nem me apercebi na altura que tivesse a dimensão viral que acabou por ter. Tenho algum sentido de humor e sei rir-me de mim próprio. Há políticos que não são assim. Confesso que procuro ser autêntico»

A sua intervenção foi há uma semana, na quinta-feira. Dias depois, entende que a mensagem que quis passar, passou efetivamente:

«Todos perceberam a substância daquilo que eu queria chamar a atenção: há pessoas que olham para isso como uma oportunidade imediata para taxar, para criar taxas e taxinhas, transferindo riqueza para financiar um centro de congressos que ninguém pediu (…) e para o extinguir quando virar megalomania que todos recordarão pelo seu custo; e há outras pessoas que procuram olhar para a criação de riqueza como oportunidade para capitalizar as empresas» 

Também ele, que foi presidente da Unicer, lembrou isso mesmo, que «durante muitos anos» também trabalhou em empresas e procurou «ser assim».

O próprio Governo teve «oportunidade» para criar esta taxa. «Eram 120 milhões de euros que íamos tirar às empresas para financiar despesa pública e resistimos. É preciso fazer demonstração dessa diferença».

A forma que Pires de Lima encontrou para a fazer foi com um momento que, certamente, ficará para a história deste Governo e das discussões no Parlamento. As redes sociais já a imortalizaram na Internet. «Admito que foi uma ironia extensa, mas acho que uma semana depois toda a gente percebe o que fiz», concluiu.

Na mesma entrevista, o governante  foi questionado, inicialmente, sobre a venda da TAP, cuja privatização foi aprovada esta quinta-feira, em Conselho de Ministros. Defendeu a solução encontrada pelo Governo, dizendo que   «a obsessão por capital nacional às vezes produz as maiores asneiras» . No que toca às detenções em três ministérios deste Governo, por alegada corrupção na atribuição dos vistos gold, saudou o facto de as autoridades estarem a fazer o seu trabalho, mas advertiu que «não devemos entrar em masoquismos».