O ministro da Defesa advertiu hoje que uma resposta eficaz às atuais ameaças carece da «formação atempada da vontade política» e considerou que «às vezes» os «mecanismos da democracia» complicam mais do que facilitam as decisões.

«Como conciliar a necessidade de agregar várias nações para uma capacidade operacional de escala superior fundamental para poder vencer este desafio com a atempada formação da vontade política ?», questionou o ministro da Defesa Nacional.

José Pedro Aguiar-Branco intervinha na abertura do colóquio «Portugal e a I Guerra Mundial», na sala do Senado da Assembleia da República, apelando para «um mergulho na realidade» para questões que «são tão atuais como há cem anos» e interferem nas opções políticas que os Estados tem de tomar.

Aguiar-Branco sustentou que a Defesa Nacional faz-se «num quadro de defesa coletiva» e pela participação nas plataformas como a NATO e a União Europeia e agora também na «coligação internacional» que visa combater «a praga do dito estado islâmico» que constitui uma ameaça terrorista que «assola todos os que pugnam pela liberdade e pela democracia».

«Qual o melhor enquadramento político diplomático em que Portugal e outros Estados nações se devem mover? Qual a situação do instrumento militar para poder fazer face a este tipo de ameaça? Quais as limitações de natureza económica que condicionam a intervenção de Portugal e dos outros Estados?», são as questões que se colocam atualmente, identificou.

O ministro frisou que «o principal centro de debate são os níveis de prontidão, quer em termos da sua dimensão operacional, quer na sua liberdade de ação estratégica de cada um dos Estados membros e também na formação da vontade política».

Aguiar-Branco lembrou que a cimeira da NATO realizada em Gales no início de setembro «apontou caminhos que visam criar níveis de prontidão diferentes», advertindo que isso só será possível se as várias nações conseguirem coordenar-se para a «atempada formação da vontade política».

«Temos visto que esse tem sido o principal desafio que nos é colocado», afirmou, identificando em seguida algumas dificuldades.

«Porque os mecanismos da democracia, os mecanismos da liberdade, os mecanismos do respeito da liberdade de expressão, da comunicação social, da vontade publicada, etc, um conjunto de valores que nós defendemos mas que neste caso concreto eu diria que às vezes complicam mais a capacidade de ter um nível de prontidão de resposta mais eficaz do que são facilitadores da nossa própria capacidade de reagir, em tempo oportuno, às ameaças que todos facilmente diagnosticamos», declarou.

O governante defendeu ainda a necessidade de «encontrar os instrumentos e formas de ação que supram as lacunas que impedem um melhor resultado».