O ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, afirmou esta quinta-feira aos jornalistas, após a tomada de posse, que tem por objetivo “trazer a cultura ao quotidiano dos cidadãos, não só nos grandes centros”, e apoiar os criadores e produtores culturais.

Escusando-se a falar de questões concretas da esfera da cultura, sem examinar primeiro as respetivas pastas, Castro Mendes, afirmou, quando interrogado sobre o orçamento para o setor: “A política é a arte do possível, sem trair os nossos ideais”.

O novo ministro, que sucede na pasta a João Soares, que se demitiu na passada sexta-feira, quer uma “maior sensibilização dos cidadãos para a cultura”, e apontou a RTP como um meio para atingir este objetivo.

Adiantou, todavia, que uma prioridade “é trazer a cultura ao quotidiano dos cidadãos, para perto dos cidadãos, tanto dos grandes centros como a nível local, criar alianças entre as instituições, os poderes locais, as autonomias, as fundações e a sociedade civil”.

É olhar, evidentemente, para os criadores e produtores culturais, ao mesmo tempo que incentivamos o uso [da cultura], pelos cidadãos”, afirmou Castro Mendes, para afirmar, em seguida, a necessidade “de uma maior sensibilização dos cidadãos para a cultura, e aí temos evidentemente, um instrumento que é a RTP, que já a está a ter”.

Questionado sobre a dotação orçamental para a esfera governativa da Cultura, Castro Mendes solidarizou-se com os seus colegas de Governo afirmando que “nenhum achará [a sua respetiva verba] suficiente”.

Quanto à verba de 0,4% do Orçamento do Estado para a Cultura, Castro Mendes argumentou: “As coisas têm de ser vistas na relatividade da exigência da sociedade. Ninguém está satisfeito com o orçamento que tem. A primeira pessoa que não está satisfeita é o senhor primeiro-ministro [António Costa], e direi que a segunda pessoa que não está satisfeita é o senhor ministro das Finanças [Mário Centeno]”.

A realidade é essa, e a política, a arte do possível. A política é procurarmos não trair os nossos ideais, procurarmos não renegar nem abandonar as nossas convicções, mas sabermos do que fazemos, nos limites do possível - nos limites e nas contingências da realidade, que enfrentamos, nos permite”, acrescentou.

Questionado sobre o futuro quanto à Coleção Miró, do ex-BPN, e do protocolo com o Estado português, relativo à coleção Berardo, que cessa este ano (foi assinado em abril de 2006 por dez anos), o ministro escusou-se a “fazer declarações sobre pontos concretos, antes de os estudar” e advertiu: “Não sou uma pessoa para começar a dizer coisas antes de ter examinado os dossiês e ter refletido, com o meu secretário de Estado”, Miguel Honrado.

O ministro afirmou ainda que “tem de começar a trabalhar” e que tem uma agenda pela frente.

Miguel Honrado, até agora presidente do conselho de administração do Teatro Nacional D. Maria II, falou também sucintamente, tendo afirmado que já há muito conhecia o ministro da Cultura, e que aceitou o cargo por “razões de confiança e de grande amizade e de convicção absoluta de que [Castro Mendes] é a pessoa certa no lugar certo”.

Luís Filipe Castro Mendes, de 66 anos, escritor e com uma carreira diplomática de cerca de 40 anos, tomou hoje posse, no palácio de Belém, como ministro da Cultura, sucedendo a João Soares, a menos de cinco meses do atual Governo iniciar funções.

Tomaram também posse Miguel Honrado, como secretário de Estado da Cultura, que sucede a Isabel Botelho Leal, e João Paulo Rebelo, como secretário de Estado da Juventude e Desporto.

A cerimónia de posse dos três novos membros do XXI Governo realizou-se na sala das Bicas do palácio presidencial, durou cerca de três minutos e constituiu a primeira alteração ao atual executivo do PS.