O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, declarou esta quinta-feira estar "indignado" com as críticas do CDS-PP sobre o anterior quadro comunitário de apoio, ressalvando que o Executivo de centro-direita não cumpriu o mesmo a 100%.

"Para o CDS, 18 milhões de euros pode ser uma insignificância. Para a agricultura e os agricultores portugueses, 18 milhões de euros é um montante muito importante", sublinhou Capoulas Santos, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

O titular da pasta da Agricultura falava depois de o CDS-PP o ter acusado esta quinta-feira de "incompetência" ou, num cenário mais "feio", de ter "inveja total" da aplicação da parte do governo PSD/CDS-PP do programa de apoio ao investimento agrícola (PRODER).

"O ministro ou revela incompetência ou revela uma coisa ainda mais feia, uma inveja total por não ser capaz de ter executado e não ser capaz de estar a executar neste momento o PDR [Programa de Desenvolvimento Rural], que está parado", afirmou no parlamento o deputado do CDS-PP Abel Baptista, referindo-se ao atual programa de investimento agrícola, o PDR 2014-2020.

E concretizou: "Estamos a falar, para que se perceba, de menos de 0,5% do programa, de 4,5 mil milhões de euros".

No anterior Executivo de centro-direita, a pasta da Agricultura estava nas mãos da atual presidente do CDS-PP, Assunção Cristas.

Na quarta-feira, o ministro da Agricultura afirmou que o anterior programa de apoio ao investimento agrícola (PRODER) não foi totalmente executado, como havia dito a sua antecessora na pasta, a centrista Assunção Cristas, obrigando a devolver 18 milhões de euros a Bruxelas.

Esta quinta-feira, Capoulas lembrou que o anterior Governo fez uma cerimónia pública em junho de 2015 em jeito de "enorme comemoração" para garantir que o PRODER estava executado, à época, em 100%.

"É com profunda indignação que constato agora que aqueles que em junho [de 2015] garantiam publicamente que tinham executado 100% [do programa], dizem agora que afinal a não execução [total] se deveu ao exercício do mês de dezembro, cinco meses depois de garantirem que a execução estava concluída", vincou o ministro da Agricultura.

O PRODER vigorou entre 2007 e 2013, mas tinha mais dois anos para gastar as verbas disponíveis, pelo que só foi efetivamente fechado no final do ano passado.