O PCP criticou hoje a «propaganda da retoma» feita pelo Governo, considerando que contrasta «fortemente com a realidade», mas a ministra das Finanças respondeu pedindo cautela e responsabilidade, afirmando que isso não significa «impor novos sacrifícios» aos portugueses.

Durante o debate de hoje no parlamento, o deputado comunista Miguel Tiago criticou a «propaganda da retoma» feita pelo Governo, que diz que «já só falta um bocadinho», considerando que esse discurso «contrasta fortemente com a realidade vista pelos portugueses».

Em resposta aos deputados, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, reiterou a necessidade de responsabilidade nas políticas públicas e afirmou:

«Não estamos a dizer que temos de impor novos sacrifícios [aos portugueses], mas a recuperação tem de ser cautelosa».


O PCP apontou ainda o aumento da emigração e da pobreza, bem como os encargos anuais com os encargos da dívida pública.

«Os cofres estão cheios de dívida para pagar dívida», afirmou o deputado comunista Miguel Tiago, que recordou que os encargos com os juros da dívida pública representam cerca de 8.000 milhões de euros anuais, o que «poderia financiar um novo Sistema Nacional de Saúde» ou o ensino superior gratuito para «todos os portugueses».

Perante os exemplos do deputado do PCP, a ministra das Finanças afirmou:

«Num ano deixamos de pagar juros com a negociação da dívida e depois fazemos muitos investimentos. E no ano seguinte? Acabava-se. A riqueza não se gera por milagre e boas intenções».


A ministra acabou também por subscrever a posição PCP quanto à necessidade da defesa dos interesses nacionais, afirmando que essa é a postura do Governo e que assim continuará a ser depois das eleições.

«Queria subscrever algumas das afirmações do PCP, quando afirmam que devemos defender os interesses nacionais e somos um povo que merece ser tratado de dignidade. Acho que qualquer um de nós o subscreverá. Temos é formas diferentes de salvaguardar os interesses nacionais», disse Maria Luís Albuquerque.

«É assim que aqui estamos hoje e estaremos certamente depois das próximas eleições, respeitando aquilo que o povo soberanamente determinar, naquilo que seja a sua visão sobre o que defende os interesses nacionais», afirmou a ministra.

Também o deputado do PS Pedro Nuno Santos apontou a «queda ininterrupta do emprego nos últimos seis meses» e questionou se foi atingido «o limite da recuperação estrutural do desemprego».

A ministra admitiu a queda nos últimos meses, mas disse que esses são «sobressaltos» de um caminho «que não é fácil», reconhecendo que «ainda há dificuldades».

«O desemprego tem de ser a nossa maior preocupação», apontou a governante, sublinhando que o emprego não se cria «prometendo em campanha eleitoral».