Mais uma forte crítica ao estado do sistema judicial por causa dos problemas no programa informático Citius. Desta vez, é a bastonária da Ordem dos Advogados que aponta o dedo à ministra da Justiça, argumentando que o sistema está «totalmente em colapso».

«É inconcebível que já tenham caído ministros por causa da queda de uma ponte e que o sistema judicial esteja totalmente em colapso e a senhora ministra não apareça e se refugie no seu gabinete», comentou Elina Fraga, citada pela Lusa, na Figueira da Foz, à margem da abertura do IX Encontro Anual do Conselho Superior de Magistratura.

PS: «Demita já a ministra da Justiça»

A presença da ministra da Justiça estava prevista, mas Paula Teixeira da Cruz fez-se representar pelo seu secretário de Estado, António Costa Moura.

«A ministra não pode desaparecer quando colapsaram e paralisaram os tribunais portugueses. Ela é a face desta reforma, é ela que tem de enfrentar as consequências nefastas desta reforma», continuou a bastonária, que criticou depois a falta de presença da ministra: o secretário de Estado «não sabe nada de justiça, não sabe nada do funcionamento dos tribunais [veio] fazer uma propaganda miserável».

A intervenção de António Costa Moura «parecia uma vez mais o ministro da propaganda do governo de Saddam Hussein do Iraque, que ouvia as bombas a rebentarem e dizia que estava tudo em paz», observou.

O discurso do secretário de Estado, na perspetiva de Elina Fraga, «constitui um insulto aos cidadãos, às empresas e a todos os operadores judiciários».

A bastonária está «muito preocupada» com «os milhares de processos ainda em caixotes e em armazéns de tribunal» e com «os milhões de processos que ainda não estão inseridos na plataforma Citius».

Além do secretário de Estado, falaram na sessão de abertura do Encontro Anual do CSM o presidente do Conselho Superior de Magistratura, António Henriques Gaspar, e o presidente da Câmara da Figueira da Foz, João Ataíde.

A reunião, que decorre hoje e sábado debate temas como a reforma judiciária, a gestão da qualidade nos tribunais, a instalação de novas comarcas e a gestão, comunicação e informação.