O primeiro-ministro, José Sócrates, foi este sábado recebido de forma calorosa na sua chegada ao Mindelo, onde defendeu a necessidade de uma nova dimensão na cooperação cultural entre Portugal e Cabo Verde, avança a agência Lusa.

Antes do curto passeio a pé pelo centro do Mindelo, Ilha de São Vicente, José Sócrates entrou nos Paços do Concelho da cidade ao lado da presidente da Câmara local, Isaura Gomes, e ao som de uma banda de música tradicional.

Na sessão de boas-vindas, o primeiro-ministro português recebeu uma salva de palmas quando justificou os motivos da sua presença no Mindelo.

«Há muitos anos que me dizem que, para perceber a alma portuguesa e a alma cabo-verdiana, é preciso conhecer o Mindelo. Estou aqui para homenagear a cultura de Cabo Verde», acrescentou.

Tendo na plateia os seus ministros dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e da Cultura, Pinto Ribeiro, Sócrates disse que o objectivo deste seu terceiro e último dia de visita oficial a Cabo Verde «é afirmar uma nova dimensão na cooperação cultural» entre os dois países.

A presidente da Câmara do Mindelo, Isaura Gomes, fez um discurso longo, mas com vários momentos de humor.

«Os portugueses e os cabo-verdianos têm um ADN em comum. Quando acontece alguma coisa em Portugal, já sei que isso também vai acontecer em Cabo Verde, até quando há greve nas prisões», disse, provocando gargalhadas.

Isaura Gomes protestou por José Sócrates não passar uma noite no Mindelo durante a sua visita oficial e desafiou-o a cantar uma morna ao almoço.

«Há duas coisas que não faço: uma é dançar e outra é cantar, porque tenho suficiente respeito por mim próprio», respondeu o primeiro-ministro português à presidente da Câmara.

«Mas eu vou induzir-lhe o meu ritmo», insistiu a autarca no passeio a pé pela cidade.

Mais formal, a presidente da Câmara do Mindelo pediu um reforço da cooperação portuguesa ao nível do cuidado com os doentes e na requalificação de edifícios públicos nacionais, caso do consulado.

Isaura Gomes afirmou mesmo que a França tem boas instalações e que o mesmo não acontece com Portugal no Mindelo.