o regime remuneratório


Militares deixam alerta aos portugueses

 

"Consideramos ser um dever inadiável trazer a público estas posições porque para os militares o dever de lealdade para com o poder legítimo não deve, nem pode, sobrepor-se ao dever de fidelidade para com a instituição militar e para com o país"


Na declaração final da reunião, os oficiais das Forças Armadas exortam "todos os responsáveis no âmbito da Defesa Nacional e das Forças Armadas" a impedir "que a gravidade se torne irreversível e possa pôr em perigo a solidez e a estabilidade" para garantir "missões de soberania, face a possíveis cenários de grande incerteza".

Diversos ex-chefes dos Estados-Maiores dos três ramos das Forças Armadas (FA) marcaram presença - Loureiro dos Santos, Pinto Ramalho ou Melo Gomes -, entre outras altas patentes como o general Mourato Nunes ou o coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, num jantar que contou com uma mensagem de apoio do general e antigo presidente da República Ramalho Eanes.

Estes oficiais "repudiam o discurso laudatório da atual tutela política relativamente às medidas que sucessivamente têm vindo a ser tomadas para com as FA e os seus servidores militares, militarizados e civis, apresentadas como reformas estruturantes, mas que não têm sido mais que ações avulsas, cujo efeito tem sido o degradar da instituição militar".

O Governo tira "partido de forma iníqua do sentido do dever, disciplina e profissionalismo dos militares" para um "repetido anúncio" de "clima de satisfação e tranquilidade que só na aparência existe".


"A atual ação governativa, pretendendo justificar a necessidade de medidas que toma com a situação de emergência económico-financeira que o país vive, ignora deliberadamente que as Forças Armadas são a instituição que mais se reformou, desde a instauração do regime democrático, em 1974", continua o documento.

Os oficiais das FA defendem que "o poder político não pode ser exercido apenas para justificar, arrogantemente, medidas e soluções tidas como únicas, o que em democracia não é aceitável".

"Ao invés, reivindicamos que reconheça, de facto, que o que é diferente deve ser tratado de forma diversa, tal como, afinal, tem acontecido em relação a outras carreiras especiais do Estado", afirmaram.