Notícia atualizada às 19:28

O deputado do PCP Miguel Tiago recusou esta quarta-feira o «cenário idílico e fantasioso» anunciado pelo Banco de Portugal, que reviu em alta as previsões para a economia portuguesa, sublinhando que as projeções não estão «ancoradas na realidade».

«Estas projeções do Banco de Portugal parecem quase um panfleto do Governo», afirmou Miguel Tiago, em declarações aos jornalistas no parlamento, numa reação aos números divulgados ao início da tarde.

Notando que as projeções do Banco de Portugal não têm em conta «os cortes que o Governo só vai anunciar depois das eleições», nem eventuais chumbos do Tribunal Constitucional a medidas do executivo, o deputado comunista falou em previsões demasiado otimistas.

«É uma previsão que consideramos bastante fantasiosa, não está ancorada na realidade», frisou, considerando que «nem num cenário idílico e fantasioso» elas poderão ser cumpridas.

Por outro lado, acrescentou, mesmo que se confirme algum crescimento económico, isso não se está a traduzir na vida dos portugueses.

«Mesmo se as previsões vierem a ser cumpridas, Portugal em 2016 terá recuperado um terço daquilo que perdeu nos últimos 3 anos», disse.

PS sem «razões para acreditar»

O PS disse registar as «projeções mais favoráveis» do Banco de Portugal (BdP) sobre a economia portuguesa, mas sublinhou não ver «razões para acreditar» nos números, «infelizmente para o país».

«Registamos que o BdP apresenta agora projeções mais favoráveis. Esperamos que as projeções se pudessem verificar, não vemos é razões para acreditar que assim seja, infelizmente para o país», declarou o deputado socialista Pedro Marques, que falava aos jornalistas no parlamento.

Pedro Marques lembra que o banco central faz agora uma «inversão completa nos fundamentos» do crescimento económico, deixando de lado as exportações e centrando agora os dados na procura interna.

«Não vemos como pode crescer a procura interna deste modo com mais cortes de salários e pensões, a única coisa com que se preocupa o Governo aparentemente¿, sublinhou o socialista.

O deputado do PS declarou ainda que Portugal, «mesmo no contexto do tratado orçamental», precisava de um Governo «que não estivesse sempre preocupado em carregar sobre os mesmos».

O Banco de Portugal reviu em alta as previsões para a economia portuguesa, antecipando que cresça 1,2% este ano, tal como a estimativa do Governo, e que aumente 1,4% em 2015.

O banco central alinhou a sua previsão para 2014 com as estimativas do Governo e da troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), melhorando a sua previsão dos 0,8% (estimados em dezembro) para os 1,2% este ano.

Para 2015, a instituição liderada por Carlos Costa antecipa que a economia portuguesa cresça 1,4%, e não os 1,3% estimados em dezembro, e para 2016, o banco central estima um crescimento de 1,7%.