O PCP disse que «não há mesmo saída» para a continuação da austeridade no pós-troika a não ser que haja uma «rejeição» destas políticas e uma renegociação da dívida.

«Limpa ou não, não há mesmo saída. As políticas vão mesmo continuar a não ser que Portugal consiga rejeitar esta política, renegociar a dívida e assegurar o pagamento da dívida apenas nos termos em que seja possível realizá-la de acordo com a Constituição e os direitos dos portugueses», declarou o parlamentar comunista Miguel Tiago.

O deputado falava, esta terça-feira, aos jornalistas no final de um encontro da comissão parlamentar de acompanhamento das medidas da troika com os representantes internacionais que estão em Portugal para a 12.ª avaliação do programa de resgate.

O PCP disse que, na reunião, os elementos da troika se escusaram a detalhar quais as conversas que têm tido com o Governo para o período seguinte ao fim do programa de assistência.

«[Os elementos da troika] Não quiseram detalhar cada um dos acordos que estão a estabelecer com o Governo português no sentido dessa continuação, mas deixaram claro que o que interessa é que a tendência política geral de austeridade (...) tem de continuar», advertiu Miguel Tiago.

Já o Bloco de Esquerda (BE) disse que a troika espera aprofundar cortes orçamentais em Portugal, e tem mantido com o Governo um «blind date» [encontro às cegas] sobre o futuro do país.

«A troika não falou acerca do Governo, o Governo, como se viu ontem, não falou acerca da troika. Isto é um "blind date", vamos ver o que sai daqui», declarou o deputado bloquista Luís Fazenda, em declarações aos jornalistas no parlamento.

O deputado do BE falava no final de uma reunião de cerca de uma hora e meia tida no parlamento entre a comissão eventual de acompanhamento do programa de assistência financeira e os representantes da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia).

«Há uma espécie de expectativa de aquisição prolongada de todos os cortes que foram feitos, de toda a política de austeridade realizada, com expectativas de que ela se mantenha no futuro e venha inclusivamente a agravar», alertou Luís Fazenda no final do encontro.

Para o Bloco, há uma «pressão muito forte» da troika para, neste «sprint final do programa dito de ajustamento», fazer com que «todos os cortes que já foram realizados sejam não só garantidos como aprofundados».

Os elementos da troika, disse ainda Fazenda, tiveram no encontro com os deputados uma «reação muito dura» para com o manifesto assinado por economistas portugueses e posteriormente por especialistas internacionais reclamando a reestruturação da dívida soberana portuguesa.

O BE propôs que a reunião de hoje da comissão parlamentar de acompanhamento do programa de resgate, com membros da 'troika', decorresse à porta aberta, mas todos os partidos votaram contra a proposta.