O grupo parlamentar do PCP requereu, esta quarta-feira, a presença da ministra de Estado e das Finanças e do secretário de Estado da Cultura em comissões parlamentares para esclarecerem a venda, entretanto suspensa, da coleção estatal de Miró.

O deputado Miguel Tiago, que já antes tinha anunciado a apresentação de um projeto de resolução para o «resgate» de volta a território português das obras do artista plástico catalão Joan Miró pertencentes ao nacionalizado BPN, anunciou os dois pedidos de audição «no sentido de apurar a responsabilidade política dos atos».

«Para nós, resulta muito claro neste processo que houve atos políticos e opções que se traduziram em medidas ilícitas. O facto de o secretário de Estado ter autorizado a saída do país de uma obra que já não estava no país e de a Parvalorem (empresa que gere ativos do BPN) se ter escusado a indicar a localização das obras quando solicitada pela Direção-Geral do Património Cultural, apontam para dois tipos de irresponsabilidade: política e, eventualmente, outro tipo que terá de ser apuradas nos tribunais», afirmou, na Assembleia da República.

As 85 obras de Miró encontram-se em Londres, depois de se ter gorado o leilão em que deviam ter sido licitadas. A leiloeira britânica Christie's cancelou a operação em virtude da «disputa nos tribunais portugueses», depois de terem sido interpostas ações cautelares para inviabilizar a venda daquela coleção.