O deputado do PCP Miguel Tiago destacou hoje a convicção da troika de que os cortes nos salários, reformas e pensões terão de manter-se para lá do final do programa de assistência económico-financeira.

«Dizem que aquilo que é necessário é apostar no mesmo caminho. Continuar os cortes. A expressão utilizada até foi "Portugal não pode relaxar", dando a entender que há algum relaxamento por parte dos portugueses», criticou Miguel Tiago, nos Passos Perdidos do parlamento.

Os representantes da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional reuniram-se com os grupos parlamentares e vão encontrar-se também com os parceiros sociais, no âmbito da 11.ª avaliação regular ao resgate português, a penúltima do programa.

«Sobre a transitoriedade dos cortes e destas políticas, ficou muito claro que ela não existe. Os representantes das instituições estrangeiras disseram que o pacto termina, mas as políticas terão de continuar por muitos anos», continuou o parlamentar comunista.

Para Miguel Tiago, «o Governo está a optar por um discurso eleitoralista, que nos faz crer que as pequenas alterações nos indicadores económicos são estruturais e podem libertar o país desta política e isso não é verdade».

«A dívida pública continua a crescer, a pobreza a alastrar. Todos conhecemos o seu impacto nas nossas vidas», disse, acrescentando que «a troika limitou-se a dizer que a escolha pertencerá ao Governo português» relativamente ao período pós-assistência e sua forma, mais à irlandesa ou com recurso a programa cautelar.

Unanimidade quanto a cortes definitivos

Entretanto, o deputado do BE Luís Fazenda sublinhou o facto de a troika considerar que os cortes nos salários e outras retribuições em Portugal são definitivos e ainda insuficientes para o ajustamento pretendido.

«Foram unânimes em considerar que o pós-troika tem muitos anos. São muitos anos para continuar o ajustamento da economia portuguesa e, portanto, não devem ser diminuídos os sacrifícios que o ajustamento tem imposto», declarou, nos Passos Perdidos do parlamento.

«Aquilo que o Governo português alega junto do Tribunal Constitucional (TC) - que está a apreciar o Orçamento do Estado para 2014 -, de que os cortes salariais na função pública e nas pensões são temporários, na ótica da troika, eles são adquiridos e insuficientes, permanentes e pouco», afirmou o parlamentar bloquista.

Luís Fazenda sugeriu mesmo que sejam enviadas ao TC as últimas correspondências entre o executivo da maioria PSD/CDS-PP e a troika «porque há aqui alguém que anda a enganar alguém, acerca das medidas de ajustamento, sua provisoriedade, serem temporárias ou não».

«Querem muitíssimo mais vincar essa necessidade de redução dos salários e das pensões. Para a missão externa, esses cortes são definitivos e, aliás, ainda insuficientes para aquilo que chamam ajustamento da economia portuguesa», concluiu.