O ex-ministro Miguel Relvas manifestou a sua "disponibilidade total" para "voltar a responder por escrito" a novas questões sobre o banco Efisa no Parlamento, segundo carta enviada à comissão parlamentar, a que Lusa teve acesso.

A 22 de junho, o Parlamento aprovou o novo pedido de audição do ex-governante sobre o banco Efisa, com o PS a garantir que desta vez não estará disponível para enviar as perguntas por escrito.

Reitero a minha disponibilidade total para colaborar com a comissão [de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa] a que preside e com o parlamento", escreveu Miguel Relvas, numa carta enviada a Teresa Leal Coelho, datada de 22 de junho.

"Faço-o com o máximo sentido de responsabilidade e tendo bem noção de que é meu dever colaborar com as instituições, em particular com o parlamento, coração da democracia", prosseguiu.

"Esta minha vontade implica responsabilidade e não quero contribuir para que questões partidárias impliquem com o integral esclarecimento de todos os factos, não quero fazer parte de uma lógica em que o espetáculo se sobrepõe à verdade", acrescentou Miguel Relvas.

"Tenho assistido, à distância que a minha vida profissional permite, ao desenrolar dos trabalhos da comissão relativos ao processo do banco Efisa. Respondi com rigor às questões que me foram colocadas. E assisti também à audição da senhora dra. Isabel Castelo Branco, pretérita secretária de Estado do Tesouro, que me pareceu – e pelos vistos à comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa -, global, cabal e esclarecedora", considerou.

No entanto, "e porque quero que a verdade vença - sem dúvida e sem obstáculo -, mantenho toda a disposição para, caso julgue útil, voltar a responder por escrito a novas questões que possam ter surgido no âmbito das inquirições em curso", concluiu Miguel Miranda Relvas.

O requerimento para a audição do ex-governante foi aprovado com os votos a favor do PS, BE e PCP, a abstenção do CDS-PP e o voto contra do PSD.

A mesa da comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa ia procurar agendar a audição com o ex-ministro, mas a prestação de esclarecimentos por parte de Miguel Relvas em sede de comissão é voluntária, o que significa que o social-democrata só o fará se assim decidir.

Esta é a segunda vez que o PS pede a audição do ex-ministro, depois de Miguel Relvas ter respondido por escrito às questões colocadas pelos parlamentares, com o PS a considerar que os esclarecimentos prestados não foram suficientes.

A questão da relação entre Miguel Relvas e o Efisa - banco de investimento do antigo BPN - colocou-se depois de ser conhecido que o ex-ministro é candidato a ser acionista da sociedade que comprou o Efisa, a Pivot SGPS, estando à espera dessa autorização pelo Banco de Portugal. Isto porque o político integrava o governo PSD/CDS-PP que decidiu a recapitalização pública do Efisa por 90 milhões de euros para depois o vender - esta privatização foi ganha pela sociedade Pivot SGPS por 38 milhões de euros.