O conselheiro nacional social-democrata e ex-ministro adjunto Miguel Relvas defendeu, esta quarta-feira, que o PSD deve liderar uma «profunda reforma do sistema político» como forma de procurar responder à «doença» da abstenção.

De acordo com relatos feitos à Lusa, na intervenção que fez na reunião do Conselho Nacional do PSD, que decorre num hotel de Lisboa, Miguel Relvas referiu-se à situação do PS antevendo uma «convulsão» e «turbulência interna», mas advertiu que os socialistas poderão sair fortalecidos desse processo.

«Aqueles que pensam que o PS sairá mais fraco desta disputa interna não se podem esquecer que os grandes partidos se reinventam depois de processos de disputa de liderança, como já aconteceu no passado tanto com o PS com o PSD», declarou o antigo porta-voz dos sociais-democratas, de acordo com relatos feitos à Lusa.

Quanto ao sistema político, sem desenvolver o tema, Miguel Relvas afirmou aos colegas de partido que «este é o momento de refletirmos na necessidade concreta de lançarmos e liderarmos uma profunda reforma do sistema político».

Esta atitude deve decorrer não apenas do nosso sentido de responsabilidade política, mas acima de tudo da qualidade de agentes de um regime democrático que nos compete defender e que nos tem dado sinais preocupantes de distanciamento entre a participação e o interesse dos cidadãos e o próprio sistema partidário na sua globalidade», considerou. Miguel Relvas apontou a abstenção como uma «doença» que «mina os alicerces do regime democrático».

No discurso, ainda de acordo com os relatos feitos à Lusa, Miguel Relvas sustentou que nas eleições europeias de domingo «perderam todos», advertiu para as eventuais consequências de decisões do Tribunal Constitucional «no futuro próximo da governação» e apelou para um «pacto social para os próximos 20 anos» orientado «para um crescimento económico sustentado e socialmente solidário».