O ex-ministro Miguel Relvas considerou, esta terça-feira, que a recente aliança entre o Partido Socialista e os partidos mais à esquerda para formar um Governo alternativo à coligação PSD/CDS mostra que, de facto, os socialistas nunca pretenderam negociar com Passos Coelho e Paulo Portas.

Em entrevista ao “Jornal das 8” da TVI, Miguel Relvas disse que as declarações desta tarde de António Costa, após a reunião com o Presidente da República, só vêm colocar pressão sobre Cavaco Silva.

“É visível que o Partido Socialista nunca pretendeu negociar com a coligação PSD/CDS um acordo que viabilizasse um Governo de quem ganhou as eleições. As declarações de hoje são objetivamente o princípio da pressão sobre o Presidente da República. O PS não deseja, e vai ter de assumir essa responsabilidade, estou convencido, que é ter de rejeitar o Governo que vai sair da coligação que ganhou as eleições.”


Relvas disse que esta união à esquerda é apenas “uma ambição sem convicção”, um entendimento ténue, visto que ainda não existe um acordo.

“Tudo isto é muito ténue, não há um acordo. A questão é saber se deste ponto de vista de opiniões - que é só isso que existe - se existe sustentabilidade, durabilidade e previsibilidade. Porque a única coisa que senti das palavras que ouvi é: há uma posição sem estratégia, mas mais grave, há uma ambição sem convicção. A única convicção que eu vi foi: ‘vamo-nos unir para ir governar. Vamo-nos unir pelo poder’”.

O ex-ministro acrescentou, ainda, que este entendimento entre os quatro partidos vai contra os votos dos portugueses, e que António Costa quer “governar com uma maioria absoluta que não lhe foi dada”.
 

“O que António Costa foi dizendo ao longo dos últimos meses tem sido negado pela realidade. Costa pediu uma maioria absoluta e teve uma derrota absoluta, e agora quer governar com uma maioria absoluta que não é dele, que não lhe foi dada. Quem votou no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista não votou pelas mesmas razões que os milhões de portugueses que também votaram no PS.