O PS apelidou hoje o 35.º Congresso do PSD, durante o fim de semana, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, de um evento no qual os militantes e dirigentes sociais-democratas ficaram «fechados, a rir do país».

«Na opinião do primeiro-ministro, o país está melhor, os portugueses é que estão pior. Não há nenhum país que esteja melhor quando a sua população está pior», afirmou o deputado socialista Miguel Laranjeiro, em declaração política no Parlamento, acusando a maioria PSD/CDS-PP de «insensibilidade gritante».

O social-democrata Mendes Bota e o democrata-cristão Telmo Correia contrapuseram que o PS «só vê o país a preto e branco», sem atentar aos sinais positivos, e de recorrer a «demagogia da má».

«Não têm qualquer problema em ficarem fechados e se rirem durante um fim de semana, enquanto os portugueses sofrem com as suas políticas», continuou Laranjeiro, adiantando que o lema do chefe do Governo é «vota primeiro, corta depois».

Para o parlamentar socialista, «este Governo, legítimo, mas legitimado numa campanha eleitoral de mentiras, conseguiu a proeza de empobrecer os portugueses e o país, sem resolver qualquer problema estrutural e até o guião da reforma do Estado, prometido pelo vice-primeiro-ministro irrevogável, desapareceu».

«Insiste em ver o país a preto e branco quando já se vão vendo raios de esperança, uma luz ao fundo do túnel. Não vale a pena meter os óculos escuros. Fez aqui uma narrativa de um catastrofismo militante», disse Mendes Bota, acrescentando que «o único Sol que emergiu» das recentes jornadas parlamentares socialistas foi o economista e antigo ministro das Finanças Silva Lopes, o qual se mostrou contrário à mutualização da dívida externa e à baixa de impostos.

Telmo Correia lamentou que o PS tenha perdido mais uma oportunidade de reflexão e abertura ao diálogo, tendo optado pelo «radicalismo».

«Só nos trouxe aqui nostalgia socratista, mas foi demagogia, demagogia da má. O país está a passar estas dificuldades porque o país esteve à beira da bancarrota e teve de assinar o memorando de entendimento e a culpa é do PS», atirou.

O socialista Miguel Laranjeiro devolveu as acusações de que «quem não falou sobre o país foi o PSD no seu congresso».

«Mas riram-se muito. O que estiveram a discutir? Riem-se de quê? Do "entertainer" com cariz presidencial (Marcelo Rebelo de Sousa). No vosso congresso, estavam ausentes do país. Nós discutimos o país com todos, vocês ficaram fechados no Coliseu, a rir do país», concluiu.

Rangel é candidato da «sra. Merkel»

Mas Miguel Laranjeiro também comparou os cabeças de lista às europeias de PS e PSD/CDS-PP, classificando o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel como «o representante da sra. Merkel em Portugal».

Contrariamente à referência à chanceler alemã, o deputado Francisco Assis foi encarado pelo seu camarada de partido como o candidato ao Parlamento Europeu com uma visão «solidária» e «soluções de todos para todos».

«O candidato do Governo, Paulo Rangel, é o rosto do desemprego em Portugal, do aumento dos impostos, da emigração dos jovens. Será o representante da austeridade, do insucesso das políticas deste Governo na Europa e da sra. Merkel em Portugal», afirmou, numa declaração política parlamento.

O democrata-cristão Telmo Correia contrariou a ideia defendida por Laranjeiro no sentido de Assis ser «a voz da defesa de Portugal, dos interesses portugueses em Bruxelas», a representar «uma Europa solidária entre os países e os povos europeus, com políticas de crescimento e de emprego, de soluções de todos para todos».

«Francisco Assis, que foi líder parlamentar de José Sócrates. Ou Alberto Martins, que foi ministro da Justiça, então vem agora aqui dizer que não têm nada a ver com o memorando e com a bancarrota? É ridículo», afirmou o deputado do CDS-PP.