O deputado social-democrata Miguel Frasquilho saudou esta quarta-feira a posição da socialista Hortense Martins, no sentido de o PS ser contra o «haircut» (perdão) na dívida, enquanto a restante oposição defendeu a renegociação como única forma de pagar.

«Há dados objetivos de que a situação económica está a melhorar e também é objetivo que os indicadores avançados e os de confiança não apontam para qualquer inversão. Apreciei o não do PS ao "haircut", não ao "corte de cabelo"», disse o parlamentar do PSD, acrescentando que a anunciada «espiral recessiva foi uma miragem» e que «os portugueses vão sentir melhorias nas suas vidas mais cedo ou mais tarde».

Em discussão na sessão plenária da Assembleia da República está um projeto de resolução do PCP a defender a renegociação da dívida pública portuguesa.

A deputada «rosa» confirmara que os responsáveis do Largo do Rato alinhavam com a maioria PSD/CDS-PP na discordância do perdão da dívida junto dos credores internacionais, mas lembrou que o Executivo de Passos Coelho e Paulo Portas «já negociou juros e maturidades dos empréstimos, à boleia da Grécia e da Irlanda».

«O Governo já fez o "haircut" dos salários e das pensões e está a ser pensado para passar a corte definitivo. O PS já defendeu que essa renegociação dos prazos, juros e maturidades deve ter como objetivo a mudança da política, mas o Governo mantém o rumo da inércia, da falta de ambição», criticou Hortense Martins.

A bloquista Mariana Mortágua condenou o facto de o primeiro-ministro se ter referido ao tema da dívida, em entrevista da véspera, como uma «maçadoria» por se tratar de uma «irresponsabilidade» que «irá custar muito caro ao país», ao contrário do retrato do «melhor dos mundos» feito por Passos Coelho.

«Reforçou a tese de estar contente por poupar o ar enquanto os portugueses estão a asfixiar. Pode prometer o céu, mas estamos mais perto do inferno que nunca», contrariou também o comunista Miguel Tiago.

O ecologista José Luís Ferreira sublinhou que «a renegociação da dívida é a única forma de pagar», ao passo que a «insistência na teimosia significa mais cortes, mais desemprego, mais pobreza».

Miguel Frasquilho elogiou «os esforços, muito duros e exigentes, feitos pelas empresas e pelas famílias», os quais «seriam em vão» e «os sacrifícios seriam uma brincadeira face aos que se seguiriam», caso Portugal optasse pela sugestão do PCP.

«Maçada ou maçadoria é os partidos da oposição reconhecerem que a situação de Portugal é muito melhor do que há um ano atrás», afirmou o deputado do PSD, defendendo que «a dívida é sustentável» até porque são «os credores a dizê-lo lá fora».

O parlamentar social-democrata reconheceu que o «futuro estará repleto de dificuldades» e que «a condicionalidade e a monitorização irão manter-se até cerca de 2035», sendo necessário «tornar a despesa pública sustentável».

«Isso só se consegue combatendo os efeitos da demografia (baixa da natalidade e envelhecimento da população) e da economia (crescimento mais lento)», disse, lembrando que Portugal está «a fazer agora as mudanças que não fez, até antes da adesão ao euro, por pressão dos credores» e que «muito foi feito nos últimos três anos e muito precisa ainda de ser feito».