O advogado Miguel Albuquerque entrou para a história da vida política da Madeira por ter ousado questionar a liderança de Alberto João Jardim no PSD regional e conseguido depois suceder-lhe no cargo.

Miguel Filipe Machado de Albuquerque, nascido na capital da Madeira em maio de 1961, licenciado em Direito, exerceu a advocacia, com escritório aberto no Funchal, entre 1986 e 1993, sendo considerado especialista nas áreas do Direito Criminal e de Família.

Divorciado, pai de cinco filhos, é publicamente conhecida a paixão de Albuquerque pela música, sobretudo o jazz, sendo frequente vê-lo a tocar piano em alguns eventos públicos.

As rosas são uma das suas outras paixões, estando ligando a um roseiral na freguesia do Arco de São Jorge, concelho de Santana, no norte da Madeira, onde existe uma coleção com cerca de 17 mil roseiras de mais de 1.700 espécies, considerado «o quarto maior roseiral da Europa».

Desde muito cedo que se dedicou à política e esteve sempre ligado ao PPD/PSD-Madeira. Foi líder da JSD madeirense, deputado na Assembleia Legislativa da Madeira (1998-1996) e autarca.

Na experiência como autarca, começou por ser eleito para a Câmara Municipal do Funchal, como número dois na lista do PPD, então encabeçada por Virgílio Pereira, mas acabou por substituí-lo no cargo de presidente, quando este se demitiu em “rota de colisão” com o presidente do Governo Regional, devido a divergências sobre as transferências financeiras para principal autarquia da região.

Assim, entre setembro de 1994 e 21 de outubro de 2013, foi o presidente do município funchalense. Venceu com maioria as eleições autárquicas de 1998, 2001, 2005, 2009, cessando estas funções devido às imposições da lei da limitação de mandatos.

No seu percurso político, entre outros cargos, foi presidente da Associação dos Municípios da Madeira (1994-2002), vice-presidente do PSD/Madeira e responsável pelo conselho de jurisdição da estrutura regional do partido.

Chegou a ser considerado um dos ‘delfins’ de Jardim, mas, a dada altura, começaram a surgir notícias das divergências com o líder do PSD/Madeira, de que é exemplo o apoio à candidatura do seu “amigo” Pedro Passos Coelho à liderança nacional do partido, contrariando a preferência da estrutura regional por Paulo Rangel.

Mas foi no final do seu mandato na presidência da Câmara do Funchal que o clima de crispação ficou mais acentuado e Albuquerque foi mesmo o primeiro militante que teve a ousadia de questionar a liderança de cerca de 40 anos do histórico Jardim, anunciando a sua candidatura à presidência do PSD/Madeira, numas eleições diretas disputadas em 2012, das quais saiu derrotado por 142 votos.

O ex-autarca manteve o projeto de «renovar» e implementar um «novo ciclo» na Madeira, voltou a candidatar-se no passado dia 19 de dezembro e foi um dos seis candidatos à sucessão de Jardim.

Numa primeira volta conseguiu ser o mais votado, reunindo 2.992 votos (47,2%) e na segunda ronda alcançou 3.949 (64%), vencendo em 10 dos 11 concelhos e 46 das 54 freguesias da Madeira.