O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, disse esta quarta-feira que sem pluralismo político a autonomia regional "entraria rapidamente em coma", deixando de ser o alicerce da vida democrática e representativa.

"Uma comunidade que não tem a capacidade de reconhecer e honrar os seus cidadãos mais ilustres está condenada, a prazo, a perder o rumo, pois deixa de olhar criticamente para si própria com sentido de futuro", declarou Miguel Albuquerque, citado pela Lusa, no dia em que se assinalam 596 anos do achamento da ilha e 39 anos de autonomia política e administrativa consolidada.

O chefe do executivo insular falava precisamente durante a cerimónia de imposição de insígnias a 10 personalidades madeirenses das áreas política e cultural, no âmbito do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses, em que destacou a importância de a sociedade reconhecer publicamente os cidadãos ilustres.

O Governo da Madeira atribuiu a Insígnia Autonómica de Valor a Paulo Martins, líder histórico da UDP e BE (a título póstumo); Emanuel Jardim Fernandes, antigo dirigente do PS/Madeira; Rui Nepomuceno, historiador e militante comunista; Óscar Fernandes, antigo deputado do PSD regional, e Baltazar Gonçalves, fundador do CDS/Madeira e antigo deputado (a título póstumo).

Por outro lado, a Insígnia Autonómica de Distinção foi atribuída a Ricardo Gouveia, artista plástico mais conhecido por Rigo; José Agostinho Baptista, poeta; Luíza Clode, escultora e diretora do Museu de Arte Sacra do Funchal; Mário André, músico, e António Aragão, artista e investigador (a título póstumo).

"Sem a criatividade e a cultura e a ação essencial dos seus agentes, a nossa vida coletiva estaria condenada à demanda estéril de acumulação de bens materiais e à perda progressiva da nossa identidade e riqueza espiritual", realçou Miguel Albuquerque, vincando a importância de reconhecer publicamente o papel dos homenageados.

Deste modo, a autonomia fica "culturalmente mais rica e politicamente mais forte", bem como "mais inclusiva e mais plural", acrescentou.

O músico Mário André, que discursou em nome dos homenageados, evocou o universo sociocultural madeirense das últimas décadas e acabou realçando ser um cidadão do mundo que não sabe como escapar ao "feitiço" das ilhas e sua mundividência.

"Sou, acima de tudo, um madeirense, igual a tantos outros, com os meus valores, as minhas crenças, as minhas fragilidades, mas também com o meu querer, que se orgulha muito da sua terra", declarou.