O presidente cessante da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque, que hoje assumiu estar disponível para um projeto alternativo ao PSD/Madeira, liderado por Alberto João Jardim, considerou que a «caça às bruxas é prejudicial num partido democrático».

«Esta situação de caça às bruxas, acho extremamente prejudicial a um partido democrático», afirmou Miguel Albuquerque, no Funchal, numa conferência de imprensa na qual foi questionado sobre a ameaça de expulsão de militantes sociais-democratas que concorreram contra o partido nas eleições autárquicas de domingo.

O autarca salientou que «a matriz social-democrata» do PSD «não é compatível, de facto, com esta situação de perseguir pessoas e ameaçar pessoas».

«É uma situação que eu espero que seja ultrapassada muito rapidamente, mas, nesse sentido, essa é mais uma das razões para impor a mudança no partido», acrescentou Miguel Albuquerque, que defendeu hoje a realização de um congresso antecipado.

No final da reunião da Comissão Política Regional do PSD/M, que decorreu na quarta-feira à noite, o seu presidente, Alberto João Jardim, declarou que todos os militantes que colaboraram com a oposição «serão expulsos».

Na ocasião, Alberto João Jardim declarou não estar para «aturar mais esse senhor [Miguel Albuquerque]».

Em novembro, o presidente da Câmara do Funchal disputou as eleições internas no PSD/M contra Alberto João Jardim, tendo este vencido com uma diferença de 142 votos. Miguel Albuquerque foi o primeiro adversário de Jardim numa disputa partidária.

Miguel Albuquerque acrescentou hoje que na moção com que se apresentou à liderança do maior partido da região já previa o desfecho eleitoral de domingo, no qual o PSD perdeu sete das 11 câmaras que detinha na região.

Na moção, denominada «Tempo de mudança», o autarca defendia a necessidade de «romper com uma cultura de prepotência e de conformismo acrítico que está a destruir» o partido, considerando que para melhorar a região há que o mudar.

«Temos de mudar o partido para melhorar a nossa região», afirmou, salientando que o PSD/M «não é propriedade de uma pessoa, nem é um mero aparelho de poder ao serviço de alguns», considerando que deve «alterar a sua postura e a sua prática, para voltar a ganhar credibilidade».

Miguel Albuquerque adiantou então que «a atual liderança revela não ter capacidade, nem ideias, nem energia, para inverter a atual situação em que a região está colocada, vergada a um plano de ajustamento irrealista e a um surto recessivo económico e social devastador».