O ministro da Presidência considerou esta quinta-feira que a Europa, com o seu passado de fluxos migratórios para outras partes do mundo, não pode no século XXI fechar-se "como uma fortaleza às tentativas de imigração".

Luís Marques Guedes assumiu esta posição a propósito do Conselho Europeu extraordinário que se realiza em Bruxelas para adotar medidas que evitem novas mortes em naufrágios no Mediterrâneo de pessoas que tentam chegar à Europa vindas do norte de África, que apontou como "um problema da Europa no seu conjunto", que as instâncias europeias têm enfrentado "de uma forma claramente deficiente".

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência defendeu que este problema exige "mecanismos humanitários de socorro" reforçados, "solidariedade internacional", e implica uma "articulação, como é óbvio, também com os países africanos, porque as causas, a génese do problema está nos próprios países africanos, onde essas pessoas são aliciadas muitas vezes por máfias".

"É lá que está a causa do problema."


Questionado se o Governo está disposto a que Portugal acolha algumas dessas pessoas, Marques Guedes respondeu que "o problema não pode ser visto numa lógica bilateral, do país A, do país B, do país C", que "as soluções que têm de ser acertadas e concertadas entre todos ", mas acrescentou que "Portugal não se furtará" a nenhuma das soluções que forem adotadas no âmbito da União Europeia.

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares qualificou de "horror" a morte de perto de 900 pessoas nas águas do Mediterrâneo no domingo, e frisou que este "foi apenas o episódio mais recente de uma tragédia que se desenrola há já bastante tempo".

Marques Guedes afirmou que para o executivo PSD/CDS-PP esta questão tem ser vista como "um problema da Europa no seu conjunto" e não "do Sul da Europa", e "tem de haver uma solidariedade internacional e um trabalho sério por parte da comunidade internacional no sentido de tentar resolver este problema".

O ministro da Presidência enquadrou este assunto como um "encargo civilizacional decisivo" que tem de ser assumido pela "comunidade internacional no seu todo, tendo na primeira linha os países europeus".

"A Europa foi, como se sabe, ao longo dos últimos séculos, um continente de emigração e não pode, no século XXI, ser um continente que fecha as suas portas e se defende como uma fortaleza às tentativas de imigração da parte de outros continentes para a Europa. Foi assim que se construiu também a história europeia, e terá de ser assim que temos de honrar a nossa história, os nossos valores e os nossos princípios."


Por outro lado, o ministro da Presidência lamentou que tenha havido um desinvestimento nas operações de busca e salvamento no Mediterrâneo cofinanciadas pelos países europeus, e considerou ser "necessário criar mecanismos humanitários de socorro que evitem - não é previnam - é evitem mesmo este tipo de situações"