O primeiro-ministro advertiu esta quarta-feira que a União Europeia tem de atacar as "causas profundas" da imigração e não pode permitir a aproximação ao Atlântico das rotas migratórias, tendo também defendido uma tributação comum da economia digital.

Estas posições foram assumidas por António Costa no discurso inicial do debate parlamentar sobre a próxima reunião de chefes de Estado e de Governo na quinta-feira e na sexta-feira em Bruxelas.

Em matéria de migrações, António Costa disse apoiar genericamente as propostas em cima da mesa e manifestou solidariedade face a Itália, o Estado-membro mais pressionado por este fenómeno.

Consideramos que não se devem perder de vista as demais rotas do Mediterrâneo e a vigilância deve ser mantida e reforçada. Não podemos continuar com esta trajetória em que, após o bloqueio da rota dos Balcãs, se abre a rota do Mediterrâneo Central. E uma vez bloqueada esta do Mediterrâneo se aproxime do Atlântico", advertiu o líder do executivo.

Para António Costa, o combate às causas profundas da imigração "é a chave da gestão responsável dos fluxos migratórios, sendo fundamental a cooperação com os países terceiros, em particular com África".

Portugal continua fortemente empenhado no cumprimento dos seus compromissos em matéria de recolocação", completou o primeiro-ministro.

Ao nível da economia digital, outro tema em discussão no Conselho Europeu, António Costa disse que Portugal apoia as prioridades definidas, designadamente ao nível da cibersegurança, desenvolvimento da administração eletrónica e investimento em comunicações eletrónicas.

Neste ponto, o primeiro-ministro sustentou que Portugal tem projetos importantes em curso, como, entre outros, o programa "Indústria 4.0" e a administração eletrónica no quadro do "Simplex".

No que se refere à tributação da economia digital, entendemos que é necessário alterar as regras e Portugal é favorável a uma abordagem comum no quadro da União Europeia. Deve permitir-se a curto prazo a tributação dos rendimentos provenientes da economia digital", frisou.

Já em matéria de pequenas empresas e ‘startups', António Costa advogou que "devem ser claramente apoiadas como estímulo ao seu desenvolvimento".

Ainda em relação à agenda do próximo Conselho Europeu, o primeiro-ministro referiu-se à questão do reforço da segurança e defesa da União Europeia, considerando que se trata de uma área que deve assumir-se como "um fator de coesão" perante os múltiplos desafios externos.

"Pode proporcionar oportunidades ao desenvolvimento de uma indústria de uso múltiplo em que Portugal quer ser também uma parte ativa", declarou, dando aqui como exemplos os setores nacionais da metalomecânica, dos têxteis e do calçado.