O secretário-geral do PS, António José Seguro, censurou a concessão da STCP e Metro do Porto, adiantando que os socialistas vão pedir esclarecimentos no parlamento sobre esta decisão tomada à revelia dos presidentes de câmara da região.

Após uma cerimónia na Câmara de Gondomar, Seguro concretizou aos jornalistas uma ideia que já havia defendido durante o discurso relativamente ao concurso quinta-feira lançado para concessão a privados da STCP e da Metro do Porto, realçando que o PS tem «a função de fiscalização do Governo» e também de «expressar publicamente» as suas posições.

«Vamos pedir esclarecimentos no parlamento e neste momento já estamos a censurar publicamente esta decisão do Governo que é tomada sem ter em conta a opinião dos presidentes de câmara», disse.

Na opinião do líder socialista, «não é claro que o principal objetivo seja melhorar a qualidade da prestação da STCP e do Metro do Porto e portanto é normal que o PS critique esta decisão do Governo que é feita à revelia do pensamento dos autarcas desta região», garantindo que o partido estará atento.

«Nós consideramos que qualquer mudança na STCP e no Metro do Porto tem, em primeiro lugar, que servir as populações. Ser uma mudança para melhor, naturalmente que todos aplaudimos, mas esta mudança não tem em atenção a opinião das populações representadas através dos seus autarcas. Consideramos isso inaceitável», criticou.

Seguro enfatizou ainda o facto de não serem conhecidos «elementos importantes desse processo de concessão».

«Porque se a lógica é apenas garantir as carreiras que são rentáveis, isso significa que vão ficar milhares de pessoas aqui da área metropolitana do Porto privadas de um transporte público que é essencial. Também é preciso conhecer qual é o destino dos trabalhadores, designadamente da STCP», concretizou.

Na quinta-feira, o Governo aprovou em Conselho de Ministros o lançamento de um concurso para a concessão a privados da STCP e do Metro do Porto, sem oferecer indemnizações compensatórias, exigindo garantias de serviço público e limitando o aumento de tarifas à inflação.

Segundo o ministro da Economia, António Pires de Lima, o executivo espera poupar 13,5 milhões de euros em indemnizações compensatórias com estas concessões em 2015, às quais se somarão 43 milhões com as concessões dos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa.

A concessão será por um mínimo de sete anos e um máximo de dez, adiantou o ministro.

Já o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, deu a garantia de que «não haverá nenhuma subida de tarifas para lá da inflação».

O Governo espera concluir o processo de concessão dos transportes do Porto entre novembro e dezembro e prevê lançar o processo relativo aos transportes de Lisboa dentro de dois meses e concluí-lo no início de 2015.