Por: Redacção | 7- 2- 2012 22: 8
A chanceler alemã, Angela Merkel, apontou hoje a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus,
sublinhando que naquela região autónoma estas verbas «serviram para construir túneis e auto-estradas, mas não para aumentar
a competitividade», noticia a Lusa.
Na opinião de Merkel, os referidos fundos devem servir para apoiar financeiramente
as pequenas e médias empresas, por exemplo, como ficou decidido no recente Conselho Europeu, em Bruxelas, e não mais para
construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, naquela região autónoma portuguesa.
«Quem já esteve
na Madeira, deve ter ficado convencido que os fundos estruturais europeus foram bem aplicados na construção de muitos túneis
e auto-estradas, mas isso não conduziu a que haja mais competitividade», observou a chefe do governo alemão, numa palestra
proferida perante alunos, na Bela Foundation, em Berlim, noticiada esta noite pela RTP.
A União Europeia aprovou
a distribuição de cerca de 350 mil milhões de euros de fundos estruturais pelos estados membros no período entre 2007 e 2013,
cabendo a Portugal cerca de 25 mil milhões de euros.
Uma proposta franco-alemã aprovada no Conselho Europeu, no início
de Fevereiro, prevê o reencaminhamento dos fundos estruturais que ainda não tenham sido orçamentados para criar mais emprego
e crescimento económico, sem prejuízo, no entanto, da verba orçamentada para cada país.
Na mesma palestra, Merkel
defendeu ainda uma maior transferência de poderes dos estados membros para Bruxelas, para que se possam erradicar as deficiências
na construção Europeia, «que a crise financeira pôs claramente a descoberto», disse.
Admitiu, no entanto, que esta
mudança «gerará acesos debates» na União Europeia. A futura união política que resultar destas alterações terá também de ter
uma Comissão Europeia «que funcione como um governo europeu», disse ainda.
O Conselho Europeu dos 27 chefes de Estado
e de governo funcionará como uma segunda câmara do parlamento, prosseguiu Merkel.
A chanceler alemã voltou também
a defender a permanência da Grécia no euro, advertindo, no entanto, que Atenas tem de cumprir os compromissos assumidos com
a União Europeia e o FMI para receber um primeiro resgate de 110 mil milhões de euros, e para aceder a um segundo empréstimo
de 130 mil milhões de euros.
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