Assinalando que há ainda «muitas escolhas a fazer» para «fortalecer o nosso presente e preparar o nosso futuro», Passos Coelho pede aos portugueses:

«É muito importante proteger o que já conseguimos juntos, com grande esforço e sacrifício. Não queremos deitar tudo a perder. Queremos, sim, construir uma sociedade com mais emprego, mais justiça, menos desigualdades, em que não haja privilégios nas mãos de um pequeno grupo com prejuízo para todos»

«Mas este será o primeiro Natal desde há muitos anos em que os portugueses não terão a acumulação de nuvens negras no seu horizonte. Será o primeiro Natal desde há muitos anos em que temos o futuro aberto diante de nós. Houve muita coisa que mudou em todo este período e finalmente começamos a colher os frutos dessas transformações»

Recordando que os três últimos anos de Governo estiveram «fortemente marcados pela resposta ao colapso financeiro de 2011», o chefe de Governo quis realçar que 2014 foi já «um ano extremamente importante».

«Fechámos o programa de auxílio externo com uma saída limpa, sem precisar de assistência adicional. Termos concluído em maio deste ano o programa de assistência no calendário previsto, e nos nossos próprios termos, atestou a grande capacidade dos portugueses de responder aos maiores desafios. Ainda para mais quando, depois de termos concluído o programa de assistência externo, fomos obrigados a lidar com a grande adversidade que constituiu a necessidade de resolução de um grande banco nacional»

Passos Coelho refere-se, assim, ao colapso financeiro do Banco Espírito Santo (BES), que marcou irremediavelmente 2014 e cujas consequências ainda se fazem sentir, bem como a tentativa de apuramento de responsabilidades, com a comissão de inquérito que está a decorrer no Parlamento, e que ainda tem vários meses pela frente.

O primeiro-ministro considerou depois que a conclusão do programa da troika «ficará por muitos anos na nossa história como um marco decisivo de confirmação de um grande consenso nacional - que queremos viver numa sociedade moderna, europeia e aberta».

«Depois das tremendas dificuldades a que fomos sujeitos, termos reconquistado a nossa autonomia, e termos posto em marcha um processo sólido de recuperação do país, é um feito que deve orgulhar cada um de nós», apelou, acrescentando que o país entrou já numa nova fase de «crescimento, de aumento do emprego e de recuperação dos rendimentos das famílias»

«Sei que muitos portugueses ainda lidam com enormes dificuldades no seu dia-a-dia e que, portanto, é essencial o propósito de garantir que todos sentirão a melhoria das condições de vida». Em 2015 haverá «uma recuperação assinalável do poder de compra de muitos portugueses, a começar pelos funcionários públicos e pensionistas»

«Mas também de todos os portugueses em geral com o alívio fiscal que a reforma do IRS irá trazer, procurando especialmente proteger quem tem filhos a seu cargo e familiares mais velhos na sua dependência. Num contexto em que ainda não podemos ir tão longe quanto gostaríamos é muito importante que quem tem mais responsabilidades na sua vida familiar encontre um alívio fiscal maior. Também aqui estamos a falar de justiça e da construção de uma sociedade mais amiga das famílias»

A 1 de janeiro, será a vez de o país escutar a mensagem do Presidente da República. Será daqui a uma semana.