A mensagem de Natal do primeiro-ministro é já uma tradição, mas a deste ano é a primeira sem o país estar sob a tutela da troika e, ao mesmo tempo, é a última desta legislatura. Neste dia 25 de dezembro de 2014, Passos Coelho diz aos portugueses que, nesta quadra natalícia, há um horizonte «aberto», sem tantas «nuvens negras», em que «finalmente» se começaram a colher os frutos dos sacrifícios. E 2015, que está aí à porta, trará consigo uma «melhoria» no poder de compra dos cidadãos. Um ano que é, também, de eleições legislativas. Por isso, faz um apelo: «Não queremos deitar tudo a perder».

Assinalando que há ainda «muitas escolhas a fazer» para «fortalecer o nosso presente e preparar o nosso futuro», Passos Coelho pede aos portugueses:

«É muito importante proteger o que já conseguimos juntos, com grande esforço e sacrifício. Não queremos deitar tudo a perder. Queremos, sim, construir uma sociedade com mais emprego, mais justiça, menos desigualdades, em que não haja privilégios nas mãos de um pequeno grupo com prejuízo para todos»

O tom é de otimismo moderado, mas com avisos, sobretudo para o que pode vir lá de fora. Passos Coelho, cuja mensagem foi transmitida pela RTP, adverte que o país deverá estar preparado para «várias incertezas no plano externo, nomeadamente na Zona Euro e no leste europeu», em 2015.

«Mas este será o primeiro Natal desde há muitos anos em que os portugueses não terão a acumulação de nuvens negras no seu horizonte. Será o primeiro Natal desde há muitos anos em que temos o futuro aberto diante de nós. Houve muita coisa que mudou em todo este período e finalmente começamos a colher os frutos dessas transformações»


Recordando que os três últimos anos de Governo estiveram «fortemente marcados pela resposta ao colapso financeiro de 2011», o chefe de Governo quis realçar que 2014 foi já «um ano extremamente importante».

«Fechámos o programa de auxílio externo com uma saída limpa, sem precisar de assistência adicional. Termos concluído em maio deste ano o programa de assistência no calendário previsto, e nos nossos próprios termos, atestou a grande capacidade dos portugueses de responder aos maiores desafios. Ainda para mais quando, depois de termos concluído o programa de assistência externo, fomos obrigados a lidar com a grande adversidade que constituiu a necessidade de resolução de um grande banco nacional»


Passos Coelho refere-se, assim, ao colapso financeiro do Banco Espírito Santo (BES), que marcou irremediavelmente 2014 e cujas consequências ainda se fazem sentir, bem como a tentativa de apuramento de responsabilidades, com a comissão de inquérito que está a decorrer no Parlamento, e que ainda tem vários meses pela frente.

O primeiro-ministro considerou depois que a conclusão do programa da troika «ficará por muitos anos na nossa história como um marco decisivo de confirmação de um grande consenso nacional - que queremos viver numa sociedade moderna, europeia e aberta».

«Depois das tremendas dificuldades a que fomos sujeitos, termos reconquistado a nossa autonomia, e termos posto em marcha um processo sólido de recuperação do país, é um feito que deve orgulhar cada um de nós», apelou, acrescentando que o país entrou já numa nova fase de «crescimento, de aumento do emprego e de recuperação dos rendimentos das famílias»

«Sei que muitos portugueses ainda lidam com enormes dificuldades no seu dia-a-dia e que, portanto, é essencial o propósito de garantir que todos sentirão a melhoria das condições de vida». Em 2015 haverá «uma recuperação assinalável do poder de compra de muitos portugueses, a começar pelos funcionários públicos e pensionistas»

«Mas também de todos os portugueses em geral com o alívio fiscal que a reforma do IRS irá trazer, procurando especialmente proteger quem tem filhos a seu cargo e familiares mais velhos na sua dependência. Num contexto em que ainda não podemos ir tão longe quanto gostaríamos é muito importante que quem tem mais responsabilidades na sua vida familiar encontre um alívio fiscal maior. Também aqui estamos a falar de justiça e da construção de uma sociedade mais amiga das famílias»


A 1 de janeiro, será a vez de o país escutar a mensagem do Presidente da República. Será daqui a uma semana.