O presidente da Câmara de Lisboa diz que o município "não pode ser contra medidas de desconcentração" de serviços, isto a propósito da mudança do Infarmed para o Porto

Lisboa não pode ser contra medidas de desconcentração ou descentralização de serviços, pois temos defendido essas políticas a bem da coesão do país e da melhoria da eficácia dos serviços".

As declarações do autarca, num comunicado hoje enviado à agência Lusa, surgem depois de a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, em entrevista ao Público, ter-se manifestado admirada pelo facto de a Câmara de Lisboa nada ter dito sobre a mudança.

O presidente da Câmara de Lisboa confia que, "qualquer que seja a decisão, o Ministério da Saúde acautelará o bom funcionamento" do Infarmed.

Fernando Medina afirma ainda que a autarquia continua "a trabalhar para reforçar o papel de Lisboa como capital global, capaz de acolher investimentos e empregos altamente qualificados". "Exemplos recentes, como a Web Summit ou a instalação em Lisboa do centro mundial de competências digitais da Mercedes, são bons exemplos do sucesso de Lisboa nesse capítulo", notou.

Em entrevista ao Público, a presidente do Infarmed afirmou que o ministro da Saúde a informou de que a transferência daquele organismo para o Porto era apenas uma intenção e não uma decisão, recordando que o próprio plano estratégico para 2018 da instituição, aprovado pela tutela, não faz qualquer referência a essa mudança.

A responsável sublinhou ainda que o regulador iria perder milhões se a mudança se concretizasse.

O anúncio da transferência da sede do Infarmed de Lisboa para o Porto foi feito na semana passada pelo ministro Adalberto Campos Fernandes, um dia depois de se saber que o Porto não conseguiu vencer a candidatura para receber a sede da Agência Europeia do Medicamento, que mudar de Londres para Amesterdão.

O Infarmed - Agência Nacional do Medicamento tem 350 trabalhadores e mais cerca de 100 colaboradores externos que incluem especialistas.