O vice-presidente do PSD Matos Correia mostrou-se satisfeito com a estratégia antiterrorista do Governo da maioria e vincou que os sociais-democratas apoiam a possibilidade de os serviços de informações poderem vir a recorrer a escutas.

«A questão das escutas não está em cima da mesa. O PSD sempre foi favorável a essa possibilidade. Foi apresentada várias vezes, o PS sempre recusou e isso deixa os serviços de informações portugueses numa situação especialmente vulnerável», afirmou o deputado.

Os serviços de informações nacionais «são os únicos na Europa, num momento em que a criminalidade organizada e o terrorismo são uma ameaça tão grande, a não disporem dos meios indispensáveis», sublinhou o parlamentar.

O deputado «laranja» falava após o encontro solicitado pelo executivo para debater o tema com os diversos partidos no parlamento, com a presença do ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, da ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, e da secretária de Estados dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais.

Ladeado pelo líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, o dirigente do PSD fez notar que a questão das escutas «exige uma revisão constitucional e a seu tempo se voltará ao assunto».

«O Governo está a apresentar uma estratégia antiterrorista que assenta em cinco pilares fundamentais - deteção, prevenção, proteção, perseguição e resposta -, mais compreensiva do que a europeia, que se baseia apenas em quatro pilares (deteção não consta)», continuou, esclarecendo que os responsáveis do Governo vão insistir na «necessidade de coordenação operacional de todas as forças e serviços de segurança» e proceder a «alterações legislativas muito pontuais, que permitam aperfeiçoar um quadro que, na sua generalidade, está correto».

Os membros do executivo de Passos Coelho e Paulo Portas já estão reunidos com o líder parlamentar comunista João Oliveira e o vice-presidente da Assembleia da República António Filipe, seguindo-se encontros com BE, PEV e, finalmente, PS.