O ministro da Educação acusou hoje o Partido Socialista (PS) de estar a fazer um «aproveitamento político» dos resultados do PISA, ao associar a avaliação de 2009 a um programa de Matemática que só foi completamente implementado em 2010.

Sobre os resultados do PISA 2012, o programa de avaliação de alunos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), que motivaram o requerimento potestativo do PS e a presença de Nuno Crato esta terça-feira, no Parlamento, o ministro afirmou que «há limites para o aproveitamento político das coisas», sublinhando que não se pode atribuir ao programa de Matemática introduzido por Maria de Lurdes Rodrigues em 2007, e revogado por Crato, a melhoria de resultados de Portugal na avaliação do PISA 2009.

O ministro referiu, tal como a deputada social-democrata Maria José Castelo Branco, que só em 2010 o programa da ministra socialista de Sócrates teve efetiva aplicação nas escolas, defendendo ainda que a evolução do país nos indicadores da OCDE resulta de uma década de trabalho e não da intervenção específica de um ministro ou um Governo.

Nuno Crato disse ainda que a média da OCDE não pode ser o objetivo do país e que «em 2015 Portugal tem condições para estar no pelotão da frente» da lista de nações com melhores resultados neste programa de avaliação.

Sobre o PISA 2012 o deputado do CDS-PP Michael Seufert enumerou ainda as práticas nas escolas portuguesas apontadas no relatório da OCDE como condições para o sucesso português nestes indicadores, dando o exemplo da revisão curricular a Matemática, e o aumento do número de horas de aulas à disciplina.

Nuno Crato ouviu ainda Luís Fazenda (BE) dizer que «se houvesse uma prova de confirmação das capacidades do ministro» ¿ numa alusão à prova de avaliação dos professores ¿ «estaria reprovadíssimo», tendo o deputado ainda acusado o ministro de andar «em ziguezagues» e de estar num «isolamento crescente na sociedade portuguesa».

«Um político que se isola é um político chumbado, e vossa excelência é um político chumbado. Creio que devia tirar as ilações suficientes acerca disso», declarou Luís Fazenda.

Na resposta o ministro disse apenas que aquilo que Luís Fazenda «interpreta como ziguezagues» é «a vontade de compromisso», referindo-se ao acordo alcançado com a UGT a propósito da prova de avaliação dos professores.

Questionado sobre a diretiva da comissão europeia que dá duas semanas ao Ministério da Educação e Ciência para colocar nos quadros os professores contratados que correspondem a necessidades permanentes das escolas, o ministro limitou-se a dizer que haverá novidades sobre o assunto «em breve».